
09/02/2023
Cientistas e pesquisadores identificaram rochas que estão sendo formadas por plástico na Ilha da Trindade, um paraíso quase inabitado que fica a 1.140 quilômetros de Vitória, no Espírito Santo, e é a ilha brasileira mais distante do continente.
O acesso à ilha é controlado e restringido pela Marinha, o que mostra que a ação do homem começou a influenciar processos que antes eram considerados essencialmente naturais, como a formação de rochas.
Os impactos para o meio ambiente podem ser graves, ameaçando, por exemplo, espécies de tartarugas e aves que se alimentam no local, e também espalhando o material para outras regiões.
No estudo, que é inédito no Brasil, os cientistas buscam entender a relação entre o homem e o meio em que vive, como as ações humanas transformam o meio ambiente e o impacto disso para as próximas gerações.
A pesquisa foi feita pela doutoranda do programa de pós-graduação em Geologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fernanda Avelar.
A pesquisadora fazia um projeto de estudos costeiros nas ilhas oceânicas brasileiras desde 2017. Ela identificou as rochas formadas por plástico ao fazer uma coleta na Ilha da Trindade em 2019.
"Fiquei uns dois meses na ilha realizando a coleta. Um dia, quando fui até o parcel [recife próximo à superfície] das tartarugas, uma região conhecida por ser a maior área de desova de tartaruga-verde no país, encontrei sedimentos esverdeados nas pedras próximas à praia. Realizei a coleta e depois levei para o laboratório para estudar e entender o que era esse material", contou Fernanda.
Após a análise, a geóloga identificou que o que estava atrelado as rochas era plástico, mais especificamente corda de pesca. O material é formado por pedaços jogado no mar, que são levados até a ilha pela ação das correntes marítimas.
A pesquisadora explicou então que, a partir disso, foi possível identificar que as rochas antes só compostas por substâncias naturais como minerais, estavam sendo geradas pela poluição marinha, compostas principalmente por plástico.
"É fácil reconhecer uma rocha gerada a partir da ação do homem. É só identificar materiais visualmente artificiais, como o plástico, que é um material do nosso cotidiano de fácil reconhecimento visual. As ocorrências encontradas na Ilha da Trindade são compostos por materiais naturais (minerais, conchas, fragmentos de rochas) e materiais plásticos (não-naturais)", disse a geóloga.
De acordo com o resultado do estudo, o material de corda de pesca se formou na rocha e se fixou na superfície da praia.
O plástico se fixou onde havia rocha e areia e se incorporou na parte de cima da superfície. Com isso, conglomerados foram formados, ficando difícil, até quase impossível, de tirar o plástico da rocha, o que mostra que são detritos plásticos com aparência de rocha.
A maioria do material coletado por Fernanda tem uma idade de poucos anos, com no máximo 1 ou 2 décadas.
O que também chamou a atenção da pesquisadora é que o processo da formação da rocha a partir da poluição marinha é rápido.
"Ele depende de três etapas – nas quais o ser humano atua como principal agente geológico – que são: disponibilidade de lixo plástico no ambiente marinho ou costeiro, arranjo e deposição do lixo em um local da praia (quando as pessoas juntam o lixo a fim de descartar ou fazer fogueira) e aumento da temperatura do ambiente por meio de fogo (como as fogueiras) que derrete o plástico interage com os sedimentos da praia formando cimento plástico e consequentemente estas rochas", afirmou.
Saiba mais no g1
Abelhas conseguem resolver desafio novo sem aprender antes, revela estudo
07/07/2026
Incêndio florestal na França força evacuação de mais de 10 mil pessoas
07/07/2026
Calor extremo nos EUA cancela eventos dos 250 anos de independência e deixa milhões em alerta
07/07/2026
Onda de calor mata ao menos 19 pessoas no estado de Nova Jersey
07/07/2026
Incêndios devastam florestas durante calor intenso na Europa
07/07/2026
Maior coruja do Brasil é registrada em área de preservação de Valença
02/07/2026
