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Entenda se os temporais recentes, como os que atingiram Rio e SP, têm relação com o aquecimento global

09/02/2023

Nesta terça-feira (7), em apenas quatro horas, choveu em todo o Rio de Janeiro 70% do esperado para todo o mês.
Já na cidade de São Paulo, em três horas, choveu o previsto para 10 dias. Nos dois estados, os temporais causaram alagamentos, deslizamentos, deixaram bairros cobertos de lama e vitimaram um jovem de 24 anos, em SP, e três pessoas no Rio.
Mas será que esses eventos são culpa do aquecimento global? Veja abaixo alguns pontos que ajudam a explicar o assunto.
Fábio Luengo, meteorologista da Climatempo, explica que os temporais que causaram deslizamentos e alagamentos foram resultado da atuação de um cavado meteorológico, uma área de instabilidade que tem como principal característica provocar uma chuva muito forte em pouco tempo e de maneira isolada, justamente como a que ocorreu ontem.
"Lógico, ontem foi um caso à parte porque tivemos a influência desse cavado tanto em São Paulo como no Rio, mas essa área de instabilidade foi muito maior", explica.
Como explicou o g1, apesar do nome pouco conhecido do público em geral, os cavados são eventos comuns na meteorologia que ocorrem ao longo de vários meses do ano. O nome técnico faz referência a uma condição de ventos que favorece a formação de chuvas intensas.
Dependendo das condições de umidade e de temperatura, a passagem de um cavado por causar muita instabilidade e chuvas fortes. Em regiões onde há essa condição de ventos, é comum ocorrer concentração de calor e de umidade, podendo até mesmo ocasionar mais chuva do que a passagem de uma frente fria.
No caso das chuvas da última segunda, Luengo explica que foi justamente essa combinação que aconteceu.
Esse cavado é uma área de instabilidade muito forte. Mas não adianta a gente ter só a instabilidade e a umidade, por exemplo. O calor é que reforça essa instabilidade, formando as nuvens de chuva. Então, o que causou essas chuvas fortes foi a combinação do cavado, calor e umidade.
— Fábio Luengo, meteorologista da Climatempo
As chuvas intensas e as temperaturas elevadas marcaram janeiro deste ano.
Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), nos estados do Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Acre, São Paulo, Goiás e Amazonas, os acumulados de chuva ultrapassaram a média histórica.
De acordo com o instituto, os acumulados foram causados, principalmente, devido à presença de um canal de umidade que favoreceu a formação de áreas de instabilidade e chuvas expressivas nessas regiões.
Outro fator determinante para os eventos climáticos, segundo o Inmet, foi a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul, que contribuiu para a ocorrência de extremos nas diferentes regiões do Brasil.

Termine de ler esta matéria clicando no g1

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