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Anel em ´primo de Plutão´, descoberto por pesquisadores da UFRJ, estremece teoria do século XIX

13/02/2023

Estudo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), publicado na última terça-feira pela revista Nature, pode mudar os rumos do que se sabia sobre um dos conceitos mais importantes da Astronomia, o Limite de Roche. Ao redor do astro Quaoar, candidato a planeta-anão, foi encontrado um anel, considerado "fora dos padrões" que trouxe novos questionamentos sobre a formação de satélites naturais.
O ponto principal da descoberta é que a existência do anel coloca em prova o que era compreendido até agora pela Astronomia como Limite de Roche, um conceito elaborado no século XIX, que define a distância que um objeto pode estar do astro principal no qual ele orbita sem ser despedaçado.
No caso do primo de Plutão, Quaoar, seu anel está a 4.100 km de seu corpo central. Porém, conforme o estabelecido no Limite, estando a essa distância, ele deveria formar uma lua. Mas não é o caso. O estudo comprovou ser um anel, com estruturas circulares que reúnem asteroides, poeira e outras partículas.
— Isso tudo está relacionado com formação, em como a gente espera que os satélites naturais, chamados de luas, sejam formados. Tendo esse caso de um astro que não entra nesses requisitos do Limite de Roche significa que não conhecíamos tão bem essa formação como imaginávamos — pontua Bruno Morgado, pesquisador do Observatório do Valongo, responsável pelo artigo.
Em um primeiro momento, o questionamento levantado pelos cientistas foi neste caso eles estivessem presenciando um satélite natural (ou lua) sendo formado. Então, esse fenômeno corresponderia a um "meio do caminho", até o anel sofrer a transformação.
— É verdade que isso é uma possibilidade, mas isso é improvável. Porque esse tipo de ocorrência de transformação acontece em um período muito pequeno de tempo, entre 10 a 20 anos. Então, é muito improvável, considerando a história do Sistema Solar — o pesquisador esclarece.
Outras hipóteses, abrangidas pelo estudo, tentam responder à pergunta levantada pela descoberta. Uma delas seria a da influência gravitacional direta da lua já existente de Quaoar, chamada de Weywot, prejudicando o processo. Numa outra abordagem, seria possível existirem irregularidades geográficas, como crateras muito fundas ou montanhas muito altas no candidato a planeta-anão.
A observação foi feita através do método chamado de ocultação estalar, na qual é medida a sombra do corpo celeste, como em um eclipse. O astrônomo pontua que, para a captação do anel, cientistas de quatro partes do mundo colaboraram com imagens.
— Eu faço parte de um grupo colaborativo com pesquisadores do Brasil e de outros países. Nós usamos essas observações de diversos locais para conseguir fazer esses estudos. Nesse trabalho específico contamos com colegas da Namíbia, da Austrália, da Ilha La Palma e com um telescópio espacial especializado em planetas de fora do Sistema Solar — conta.
Considerada mais uma conquista para a ciência brasileira, a pesquisa abriu caminho para uma possível revolução do conceito, criado pelo astrônomo francês Édouard Roche dois séculos atrás. Agora, surgem novos questionamentos sobre não ter sido formado um satélite natural.
— Aqui no Brasil nós conseguimos realizar pesquisas de ponta. É muito importante valorizar a ciência e as nossas instituições. Isso é algo que eu acredito, porque eu não estaria nessa posição de pesquisador sem a educação pública de qualidade — completa Morgado.

Fonte: Extra

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