
09/03/2023
Uma montanha de 23 toneladas de fantasias jogadas fora e de adereços caídos pelo chão na Marquês de Sapucaí deixou de ir para aterros sanitários e vai parar nas mãos de artesãos do Brasil e até do mundo.
O resultado veio do esforço do Sustenta Carnaval, que pela primeira vez contou com o apoio do poder público para evitar que esses materiais lotassem caminhões de lixo.
Mariana Pinho, idealizadora do Sustenta Carnaval, explicou que a fantasia descartada hoje vai demorar pelo menos 400 carnavais para desaparecer na natureza.
“Todos os anos a gente se veste com tecidos sintéticos, brilhos. Eu, que adoro um glitter, virei a ‘Dona Chata da Sustentabilidade’, riu.
“As escolas já têm a consciência de reutilizar. Tem agremiação que não deixa cair uma pena, porque há um mercado interno de revenda”, frisou.
Mesmo assim, a quantidade de fantasias descartadas é enorme: nos dois dias da Série Ouro, nos dois do Grupo Especial e no Sábado das Campeãs o Sustenta Carnaval recolheu 23 toneladas de roupas.
“Isso tudo iria para um aterro sanitário. São tecidos totalmente sintéticos, de difícil degradação no ambiente — meu bisneto ia nascer, e isso ainda estaria se decompondo”, ensinou.
Mariana começou sozinha nos desfiles de 2020 e 2022. No ano passado, ela gravou um vídeo em que tentava recolher peças enquanto uma equipe inteira de garis varria uma pilha de fantasias para dentro de um caminhão compactador. “A sensação é de impotência. Uma formiguinha contra um caminhão aglutinador. Quem vai vencer? Acho que hoje vai ser o aterro sanitário”, disse, enquanto registrava a cena.
Mas a formiguinha conseguiu o apoio do poder público este ano: a Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa ajudou o Sustenta Carnaval a crescer e a se multiplicar, com equipe própria e local para separar os materiais.
“A formiguinha venceu o aterro! O caminhão tá vazio!”, registrou Mariana este ano.
Sérgio Firmino, assessor especial da secretaria, acompanhou o trabalho do Sustenta Carnaval. “Foi emocionante: o carro da Comlurb não saiu do lugar”, comemorou.
Muitas das fantasias recuperadas vão para escolas que desfilam na Intendente Magalhães, nas divisões de acesso à Sapucaí, mas materiais também podem ir para editoriais de moda ou até cenários de peças de teatro.
“O Theatro Municipal vai fechar uma parceria com a gente em breve”, disse Mariana. “Organizações internacionais de produção de moda, de cinema e de TV também”, emendou. “O escopo do projeto é muito grande.”
Jean Santos, da Coordenação Pedagógica do Sustenta Carnaval, lembrou que há casos em que a fantasia vai completa, mas é preciso fazer uma triagem das partes soltas.
“Se você quer fazer um editorial de moda e precisa de algumas peças, como uma de pescoço ou de cabeça, a gente vai ter esses itens separados. Com a renda, a gente faz a neutralização do carbono”, explicou.
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