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Cardume com mais de 100 tubarões: especialistas explicam comportamento de animais na Ilha Grande

06/06/2023

Cerca de 105 tubarões da espécie Carecharhinus brevipinna, popularmente conhecida como galha-preta, foram vistos em Ilha Grande, na região da Costa verde, na semana passada. Esses animais estão em ameaça de extinção e apesar da quantidade, eles são considerados “inofensivos”, segundo o diretor do Instituto Mar Urbano, Ricardo Gomes, que comemora a presença desses peixes na região.
— Aparecer um grupo de tubarões tão grande, tão perto da nossa cidade é um fato para a gente comemorar. A gente quase que exterminou os tubarões do nosso litoral. Se hoje você quiser observar tubarões, mergulhar com tubarões, você tem que ir para Fernando de Noronha. Ter um tesouro desse no Rio de Janeiro tem que preservar. O primeiro passo é conhecer, fazer um estudo, entender esses animais e divulgar isso para fazer as pessoas entenderem e se apaixonarem pela beleza e fazer com que tenham vontade de lutar por eles — ressalta Ricardo.
O projeto, que nas redes ganhou a hashtag #tubarõesdaBIG, atua em três frentes: pesquisa científica para determinar áreas e épocas de concentração das espécies de tubarões na Baía da Ilha Grande; diálogo com as comunidades de pesca artesanal para entender a dinâmica da pesca (acidental ou direcionada) desses animais na região; e educação e conscientização públicas para que a sociedade entenda a importância da proteção dessas espécies ameaçadas.
Gomes conta que tem ido há três anos ao lugar onde os tubarões foram avistados, mas opta por não divulgar o nome para proteger a espécie. Ele vem observado a presença desses tubarões na região. No entanto, a aparição do tubarão-galha-preta na Baía da Ilha Grande ainda é um mistério. Segundo o especialista, há mais perguntas do que respostas, e um grupo de pesquisadores vai monitorar nos próximos trinta meses a movimentação do cardume.
Com a ajuda de um drone, pesquisadores filmaram e conseguiram contabilizar cerca de 105 animais, mas segundo Ricardo, há a possibilidade do número ser maior.
— No mesmo frame de vídeo, conseguimos filmar 105 tubarões, acredito até que tenham mais. Todos na faixa de 2 metros de comprimento. Nós estamos no início do projeto, que começou em janeiro, e serão 30 meses de pesquisa. Temos agora muito mais perguntas do que respostas — afirma o diretor do IMU.
O biólogo marinho Marcelo Szpilman, autor do livro "Tubarões no Brasil", tranquiliza os frequentadores das praias de Ilha Grande. Segundo ele, essa espécie se alimenta de peixe, o que torna raro um ataque do animal a humanos. Ele ressalta ainda que o galha-preta é inofensivo e reafirma que não há riscos de ataques:
— Essa é uma espécie absolutamente inofensiva, posso dizer que nos últimos 200 anos, possa ter havido dois incidentes com esse tipo de tubarão. Não há registro de ataques — ressalta o diretor-presidente do AquaRio, que acrescenta:
— Eles se alimentam de peixes e não apresentam nenhuma ameaça aos banhistas, surfistas, mergulhadores, nada disso. As pessoas podem ficar tranquilas — afirma o biólogo.
Ao observar as imagens da espécie, Szpilman diz que “não é normal um cardume desse tamanho, com mais de 100 indivíduos.” Para ele, existem várias possibilidades para que essa aglomeração ocorra:
— É absolutamente normal ter tubarões na nossa costa. A água de Angra, faz com que, como é um pouco mais clara, você consiga visualizar esse tipo de coisa [...]. No entanto, existem várias possibilidades, como para fins de reprodução, pode ser que haja uma fonte alimentação naquela região — aponta ele.
O biólogo marinho aponta ainda outro problema que as espécie de tubarões vem sofrendo: a pesca. E com isso, um declínio “vertiginoso” de várias espécies, isso inclui o galha-preta. Segundo ele, no nosso litoral há cerca de 80 espécies de tubarões e 50% estão ameaçadas, em diferentes graus.
— Particularmente, a pesca para obtenção de barbatana, nadadeira, virou o grande negócio nos últimos 30 anos. Esse é hoje o grande problema dos tubarões no mundo todo. É uma pesca ilegal. É proibido no Brasil você pescar o animal só pra obter a barbatana e jogar de volta vivo no mar — conclui o especialista.

Fonte: O Globo

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