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Pesquisadora americana nada nas Cagarras, considerada um ponto de esperança ambiental, e vê baleias raras

27/07/2023

Em visita ao Rio para participar de um seminário sobre mudanças climáticas, a oceanógrafa americana Sylvia Earle, de 87 anos, aproveitou para mergulhar num refúgio de vida marinha a apenas cinco quilômetros da Praia de Ipanema: as Ilhas Cagarras. Em 2021, o arquipélago, conhecido por abrigar gaivotas, fragatas e inúmeras espécies de peixes, foi considerado um hope spot (ponto de esperança) pela Aliança Internacional Mission Blue, instituição presidida pela especialista. O título é concedido a ambientes marinhos com alta biodiversidade e que estão com seu equilíbrio ameaçado.
O passeio de barco, na última segunda-feira, foi cercado de beleza. Além do céu azul e do mar cristalino, Sylvia pôde apreciar a passagem de baleias jubarte, que estão migrando para as águas mais quentes na Bahia, e até de baleias-francas, espécie que raramente frequenta a região.
— Veja onde estamos! Em um local maravilhoso, perto de um grande centro urbano. Temos uma boa notícia: vocês estão cuidando da vida e, quanto mais protegermos a natureza, maiores serão os benefícios, com oportunidades para resiliência, saúde e equilíbrios econômico e ecológico — disse.
Aline Aguiar, coordenadora científica do Projeto Ilhas do Rio, afirma que as Cagarras são um exemplo de resistência e resiliência:
— Ao diminuir o impacto nos ambientes naturais, podemos dar chances para que os locais se recuperem e fiquem mais saudáveis.
Em todo o mundo, são 156 pontos de esperança. No Brasil, além das Cagarras, consideradas um monumento natural desde 2010, faz parte da lista o Arquipélago de Abrolhos, na Bahia. Durante o seminário “Oceano e Clima: a conservação marinha no combate às mudanças climáticas no Brasil”, realizado anteontem no Forte de Copacabana, Sylvia falou sobre a importância do uso de conhecimento para agir e preservar os ambientes marinhos.
— A humanidade nunca teve tantas informações disponíveis como hoje. Tudo o que nos importa depende do cuidado com os sistemas naturais. Esta é a maior chance que já tivemos — disse a oceanógrafa.
Sylvia também citou o impacto da Rio-92 — conferência organizada pelas Nações Unidas em que chefes de estado se reuniram para debater problemas ambientais — na mudança de leis e na educação:
— Não podemos voltar para 1992 ou a outro momento do passado, então devemos seguir em frente, especialmente com as crianças, porque este é o século delas e ele está apenas começando.
A pesquisadora também falou um pouco de sua experiência quando em 1952 “respirou embaixo da água” em seu primeiro mergulho. Na sua apresentação, defendeu ações urgentes contra a mineração em águas profundas e a pesca em escala industrial, e considerou essencial criar áreas marinhas protegidas.
Organizado pelo Projeto Ilhas do Rio com apoio da Secretaria municipal de Ambiente e Clima e a Columbia Global Centers Rio, o seminário “Oceano e clima” teve a participação ainda de pesquisadores da UFRJ, da Uerj, da Universidade de São Paulo (USP) e da ONG WWF Brasil.

Fonte: Extra

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