
08/08/2023
A escritora e historiadora americana Rebecca Solnit, conhecida por livros como "Os Homens Explicam Tudo para Mim" e "A Mãe de Todas as Perguntas", é também uma ativista climática.
Em abril, em parceria com a ativista Thelma Young Lutunatabua, lançou "Not Too Late: Changing the Climate Story from Despair to Possibility" (não é tarde demais: mudando a história do clima do desespero para a possibilidade; sem edição no Brasil).
A obra reúne artigos de vozes de diversas partes do mundo, como forma de trazer diferentes dimensões da crise climática e, especialmente, de dar esperança. Para ela, um mundo mais "belo", "abundante" e que "nos dê alegria" pode surgir, se tomarmos atitudes na década atual, decisiva neste processo.
"O que conseguirmos (ou não) fazer nos próximos anos determinará o tipo de planeta em que viveremos e o que será a vida na Terra nos próximos milhares de anos. Essa sensação de que é tarde demais —esse fatalismo— é parte do motivo pelo qual muitas pessoas deixam de participar", diz Solnit, em entrevista exclusiva à Folha.
Como antídoto à inação, a escritora recomenda um resgate da imaginação e da memória histórica.
"Inúmeras boas mudanças foram provocadas por movimentos de base que, muitas vezes, começaram com poucas pessoas, geralmente consideradas insignificantes, impotentes e marginais", destaca.
Para Solnit, cabe também à esquerda assumir uma nova postura.
"Acho que temos vivido muita tristeza na esquerda, que costuma ver o mundo em termos de escassez, guerras e conflitos", avalia. "Não podemos gerar abundância por meio de austeridade emocional. Não se chega à bondade por meio da crueldade."
Por que não é tarde demais para mudar o clima?
Muitas pessoas pensam que é tarde demais e que perdemos nossa chance de fazer algo em relação ao clima, mas estamos vivendo o que eu chamo de década decisiva.
O que conseguirmos (ou não) fazer nos próximos anos determinará o tipo de planeta em que viveremos e o que será a vida na Terra nos próximos milhares de anos. Essa sensação de que é tarde demais —esse fatalismo— é parte do motivo pelo qual muitas pessoas deixam de participar.
Quando a senhora e a ativista Thelma Young Lutunatabua se conheceram e decidiram trabalhar em parceria?
É uma história bem mágica. Durante a pandemia, comecei a contar contos de fadas online, porque parecia, principalmente para as crianças, que o que estava acontecendo conosco fazia parte de um conto de fadas. De repente, todos estávamos isolados e tínhamos de fazer coisas muito estranhas.
Então, nesse processo, Thelma e eu nos aproximamos e percebemos que tínhamos uma opinião muito parecida sobre como abordar a tristeza, o luto, a ansiedade, o desespero e o derrotismo em torno do clima. Daí, decidimos fazer um projeto em parceria.
Passamos quase dois anos conversando até que conseguimos lançar o site Not Too Late e suas páginas em mídias sociais.
Quando descrevi o projeto para um grupo de escritores e outras pessoas envolvidas em questões climáticas, todos disseram que eu deveria transformar aquilo num livro, o que fazia sentido para mim. O livro ficou pronto cerca de um ano após a assinatura do contrato.
A entrevista completa pode ser lida na Folha de S. Paulo
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