
29/08/2023
O medo dos cidadãos japoneses e as críticas recebidas da China não foram suficientes para evitar que o Japão começasse a lançar no Oceano Pacífico, na quinta-feira (24), as águas residuais tratadas da usina nuclear de Fukushima.
Mais de um milhão de toneladas de águas residuais foram acumuladas desde o tsunami de 2011, que danificou gravemente as instalações da usina.
Segundo o governo japonês, o risco de contaminação é mínimo, devido aos processos empregados de filtragem da água. E o plano recebeu o respaldo do organismo de controle nuclear das Nações Unidas, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).
Mas a iniciativa gera controvérsias na região. As comunidades locais receiam que possíveis danos ambientais venham a prejudicar a pesca e outras atividades econômicas.
O plano também enfrenta forte oposição da China, que é o principal comprador de frutos do mar japoneses. Pequim acusa o Japão de tratar o oceano como seu "esgoto particular" e considera que a AIEA é um organismo "unilateral".
Na quinta-feira (24/8), assim que o Japão deu início ao lançamento das águas, o governo chinês anunciou que irá proibir todas as importações de mariscos da região, para "proteger a saúde dos consumidores chineses", segundo a alfândega do país.
Calcula-se que esta medida irá causar graves danos econômicos e o próprio Japão reconheceu que suas empresas sofrerão um golpe "significativo".
Juntos, Hong Kong e a China importam todos os anos mais de US$ 1,1 milhão (cerca de R$ 5,4 milhões) em produtos originários do mar do Japão. Este valor representa quase a metade das exportações japonesas de frutos do mar.
A Coreia do Sul também proíbe, há muito tempo, alguns produtos marinhos do Japão, mas não teceu maiores comentários na quinta-feira passada.
O primeiro-ministro sul-coreano, Han Duck-soo, afirmou que "o importante, agora, é se o Japão irá seguir rigorosamente os padrões científicos e fornecer informações de forma transparente, como prometeu à comunidade internacional".
Seul e Tóquio vêm estreitando relações diplomáticas, apesar de suas profundas desavenças históricas. Eles se uniram em aliança com os Estados Unidos, frente às ameaças da Coreia do Norte e da China.
Mas a maior parte dos sul-coreanos se opõe à liberação da água de Fukushima e manifestantes tentaram invadir a Embaixada japonesa em Seul na quinta-feira. Outras manifestações de indignação também foram registradas em Hong Kong e em Tóquio.
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