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Jovens buscam protagonismo e trazem soluções para salvar a Amazônia

29/08/2023

Medidas efetivas contra o avanço das mudanças climáticas, inclusão de crianças e adolescentes nas discussões e garantia de direitos a quem vê o futuro ameaçado foram os destaques de um documento com reivindicações propostas por jovens, os protagonistas das próximas décadas. A apresentação marcou o início da Glocal Experience Amazônia, em Manaus. A edição amazônica da plataforma de sustentabilidade promove discussões sobre temas ligados ao cumprimento da Agenda 2030, baseada nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
O documento foi lido pelo ativista colombiano Francisco Veras. Aos 14 anos, o jovem é fundador da Guardianes Por La Vida, movimento de ação climática. O texto alerta que o planeta “está dividido entre a vida e a morte das espécies” com as mudanças climáticas e que as medidas tomadas por aqueles que podem decidir “são pouco ambiciosas, se não insuficientes e vagas”.
O evento termina na segunda-feira e terá uma carta produzida ao longo da programação por lideranças jovens regionais, e de outros pontos do país. Representantes da Rede de Juventudes 2030 (Rejuv2030), os ativistas Marcos Vinícios Botelho e Mayara Alves explicaram que a ideia é que a carta reúna não só desafios, mas soluções a serem implementadas pelo governo e pela sociedade.
— Não podemos esperar passivamente por soluções. É nosso dever sermos protagonistas das transformações que queremos. A ideia é que a carta não se resuma a um papel, mas que o transcenda, se transformando em ferramenta de advocacy, pautando políticas públicas — frisou Botelho.
Na cerimônia de abertura, o governador do Amazonas, Wilson Lima (União), destacou a representatividade dos debates sobre o desenvolvimento sustentável da região. Segundo a organização, 70% dos 130 palestrantes convidados são originários do estado.
— Algo que a gente se ressentiu por muito tempo é que o mundo todo falava de Amazônia, mas fora daqui. Nós somos os principais interessados. Nossas vidas não podem estar nas mãos ou nas discussões de quem não está conectado com a nossa realidade. A Europa, os Estados Unidos e os países ricos já conseguiram superar uma série de problemas, como o saneamento básico e a pobreza, mas aqui isso não é uma realidade. Temos complexidades que precisam ser superadas, necessidades básicas que precisam ser garantidas a quem mora na floresta, que precisa de saneamento básico, conectividade, água potável, e isso é um grande desafio. Quem conhece a floresta pela copa das árvores esquece que pessoas têm ali as suas raízes, e verdadeiramente protegem essa região — declarou o governador.
Outro destaque do início da programação foi um painel que reuniu representantes de diferentes organizações para debater a importância de estudos científicos na compreensão da região e proposição de soluções para os problemas enfrentados pela população.
Beto Veríssimo, pesquisador e cofundador do Instituto Imazon, apresentou o Índice de Progresso Social (IPS), desenvolvido para calcular diferentes indicadores que envolvem a sociedade, desde a segurança e alimentação de qualidade, até o acesso a saúde, educação e internet. A metodologia já foi usada para analisar os 62 municípios amazônicos, e vai agora será aplicada no restante do Brasil.
— Essa metodologia é um exame clínico de um território. O IPS mostra que o desenvolvimento social não depende apenas do PIB – explicou: — Em cada um dos municípios da Amazônia, a gente tem uma história muito comum, uma tempestade perfeita de problemas. Indicadores ambientais sofríveis, baixa produtividade do trabalho, baixa participação na economia nacional, e no social, é a parte mais pobre do país.
A Glocal Experience é uma iniciativa da Dream Factory, com correalização da Editora Globo, da Fundação Rede Amazônica e os parceiros oficiais de mídia O GLOBO, Extra e Valor. O evento faz parte do plano preparatório da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-30), que acontece em 2025 no Pará. A plataforma de discussões volta ao Rio para uma segunda edição carioca de 22 a 25 de novembro, na Marina da Glória.
Neste domingo e na segunda-feira, tendo como palco o Teatro Amazonas e o Palácio da Justiça, a iniciativa ainda vai discutir temas como o impacto das crises socioambientais da região amazônica nas crianças indígenas, as que mais sofrem com queimadas, contaminação das águas e alimentos por mercúrio, falta de saneamento básico e educação e violência sexual no contexto do garimpo ilegal.
Além disso, representantes do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e das Forças Armadas discutem, em conjunto com organizações da sociedade civil, a proteção da região e as ameaças aos povos originários e à biodiversidade local, como o avanço do desmatamento e o aumento da violência.
Conectando o Rio à Região Metropolitana de Manaus, a pauta de uma das mesas será a importância do saneamento básico para aumentar os índices de desenvolvimento nas favelas e áreas ribeirinhas dos igarapés amazônicos. O impacto do turismo e o uso da tecnologia em conjunto com os saberes tradicionais da floresta para promoção econômica também serão abordados, assim como modelos de desenvolvimento tendo como foco o carbono zero.

Fonte: O Globo

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