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Guarda-parque que cuida de Abrolhos há 35 anos recebe prêmio internacional

29/08/2023

Quando Maria Bernadete Silva Barbosa, 60, se mudou para o arquipélago dos Abrolhos nem sabia nadar. Acreditava na lenda do encantamento do boto. Hoje, 35 anos depois, é mergulhadora e seu trabalho como monitora ambiental é destaque no parque, que tem a maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul.
Berna, como é conhecida, foi levada até lá pelo marido, Adolfo, em uma viagem de férias. Ele se apaixonou pelo local e decidiu ficar, tornando-se guarda-parque. Após a morte do companheiro, quis seguir com o sonho de manter o lugar vivo e preservado.
Neste ano, a servidora do ICMBio ganhou US$ 10 mil dólares (R$ 48,5 mil) no Prêmio Internacional dos Guarda-Parques. A premiação, dada pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), será destinada à manutenção do local.
Em depoimento, ela navega pela própria história, falando sobre o amor ao marido, o trabalho com a preservação da biodiversidade e a representatividade feminina.
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"Sou de Oriximiná (PA), uma terra de rio, que não tem nada a ver com o mar. Meus pais falavam que a gente não podia entrar na água por causa do boto, que iria nos encantar —aquela coisa de interior. Por isso, sempre tive medo.
Meu pai caçava para trazer nossa alimentação. Minha mãe trabalhava na cozinha de uma casa de família. Desde nova, eu cuidava dos meus irmãos menores, já que sou a mais velha de sete filhos. Mas via que as coisas eram muito difíceis.
Fui morar em Belém aos oito anos para trabalhar e ajudar meus pais. Lá, mesmo nova, cozinhava em uma casa de família enquanto estudava.
Depois de anos trabalhando e estudando, me formei no magistério. Queria ser professora de educação física, porque gostava de esportes. Até que conheci o Adolfo, e minha vida mudou.
Para a família com quem eu morava, eu me casaria com alguém que eles escolhessem. Quando souberam do Adolfo, ficaram um pouco aborrecidos. Mas, no momento que você tem um amor verdadeiro, precisa fazer uma escolha. Então, decidi sair de casa e casei com ele, aos 24 anos.
Meses depois, o Adolfo me levou para conhecer a Bahia. Eu nunca tinha saído do Pará, e a ideia era passarmos um mês em Abrolhos. Mas, quando chegamos, ele falou que queria ficar mais alguns dias. Até que os dias viraram semanas.
Fiquei desesperada, porque preferia ir embora. Achava que o lugar não tinha nada, só o mar. Foi um ano chorando, querendo voltar para o meu Pará.
Uma das coisas que me fizeram ver Abrolhos de verdade foi observar o comportamento das aves. Elas saíam de manhã, voltavam no fim da tarde. No pôr do sol, eu sentava nas pedras e assistia aos pássaros. Eu pensava: ´Se eles conseguem ficar, eu vou ficar também´.
Não sabia entrar na água nem nadar. Tive que aprender tudo aqui, com as crianças da ilha, que eram filhos dos militares da Marinha.
Começamos como voluntários do IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal, que se fundiu a outros órgãos para criação do Ibama), até nos chamarem para trabalhar lá oficialmente. Depois de um tempo, eu já estava inteirada nas atividades."

Para ler o relato completo acessando a Folha de S. Paulo

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