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Japão despeja águas residuais da usina de Fukushima no mar

31/08/2023

Em julho de 2023, a Agência Internacional de Energia Atômica das Nações Unidas aprovou que o Japão descarregasse água tratada contendo trítio radioativo da usina nuclear desativada de Fukushima Daiichi no Oceano Pacífico. A usina foi destruída por um tsunami e um terremoto em 2011 e, este ano, o Japão começou a descarregar a água radioativa no mar.
Segundo a Tokyo Electric Power (TEPCO), a operadora da usina, que nenhuma anormalidade foi identificada no lançamento da água até o momento. Nos testes divulgados no dia 24 de agosto pela TEPCO, a primeira descarga de 7,8 mil metros cúbicos continha aproximadamente até 63 becquerels (unidade de radioatividade) de trítio por litro, o que está bem abaixo do limite estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda segundo a operadora, esta primeira descarga vai acontecer ao longo de 17 dias.
Em comunicado, a Agência Internacional de Energia Atômica das Nações Unidas afirmou que a sua própria análise no local mostrou que a concentração de trítio estava bem abaixo do limite da OMS de 10 mil becquerels por litro.
A área ao redor do lançamento da água será monitorada pelo Japão. Estima-se que a descarga total da água levará cerca de três décadas, e o Ministro do Meio Ambiente do Japão, Akihiro Nishimura, disse que os resultados semanais serão publicados.
Todas as declarações sobre a segurança do lançamento das águas radioativas no oceano não foram suficientes para convencer a China, que anunciou a proibição de importações de peixes de frutos do mar do Japão enquanto as águas residuais da usina estiverem sendo jogadas no mar. Macau e Hong Kong também instigaram a proibição das importações de frutos do mar de 10 regiões do Japão.
A agência alfandegária da China disse em comunicado que estava “altamente preocupada com o risco de contaminação radioativa trazida por… alimentos e produtos agrícolas do Japão ”. O comunicado afirma que o objetivo da proibição do departamento de alfândega chinês de todas as importações de produtos aquáticos do Japão é prevenir “o risco de contaminação radioativa da segurança alimentar causado pela descarga de água contaminada nuclearmente em Fukushima no Japão”, disse o departamento.
O Japão, por sua vez, garante que a água libertada é segura, que a Agência Internacional de Energia Atômica das Nações Unidas concluiu que o impacto da água no ambiente e nos seres humanos seria “insignificante” e que a China estava a espalhar “alegações cientificamente infundadas”.
O impacto da proibição é grande: as exportações japonesas de produtos aquáticos para a China são o maior mercado de exportação do Japão, no valor de cerca de 600 milhões de dólares em 2022. De acordo com dados do governo, as exportações japonesas de produtos aquáticos para Hong Kong e China representaram 42% do total no ano passado.
De acordo com alguns especialistas entrevistados pelo The Guardian, centrais nucleares, incluindo chinesas, têm descarregado trítio diluído no oceano durante anos sem problemas, informou o The Guardian.
“As usinas nucleares em todo o mundo têm descarregado rotineiramente água contendo trítio há mais de 60 anos sem causar danos às pessoas ou ao meio ambiente, a maioria em níveis mais elevados do que o planejado para Fukushima”, disse Tony Irwin, professor associado honorário da Universidade Nacional Australiana.
Em entrevista para a agência de notícias Reuters Geraldine Thomas, ex-professora de patologia molecular do London Imperial College, garantiu que “não haverá quaisquer efeitos para a saúde… Não há qualquer razão científica para proibir a importação de alimentos japoneses”.

Fonte: CicloVivo

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