
31/08/2023
Com 200 casas de baixa renda ligadas à rede de esgoto e outras ações de recuperação ambiental em curso, o Rio Jacaré, na Região Oceânica, volta a respirar, voltando a ter balneabilidade parecida com a que tinha na década de 1950, antes do crescimento desordenado da área. A prefeitura de Niterói explica que as obras estão avançando para garantir a purificação da água e evitar que os 1.439 milhão de litros de esgoto que passam por dia por ali sejam despejados na Lagoa de Piratininga. Anunciado em 2018, com previsão de conclusão em 2020, o projeto, que tem como objetivo transformar o Jacaré no primeiro rio urbano do estado a ser renaturalizado, deve ser concluído até o primeiro semestre do próximo ano, segundo a administração municipal.
O esgoto das 200 casas começou a ser tratado através do programa Ligado na Rede, da Secretaria municipal de Meio Ambiente e da concessionária Águas de Niterói, e de ações para recuperação do Jacaré e suas nascentes feitas pelo programa PRO Sustentável. Uma das técnicas empregadas é a implantação de bacias de biorretenção, com plantio de vegetação nativa apropriada para remoção de uma quantidade maior de poluentes. O prefeito Axel Grael destaca que a ideia é que sejam usadas soluções baseadas na natureza para que o rio volte a ser o mais natural possível.
— Nós desenvolvemos todo um planejamento para a recuperação e restauração desse rio como um ecossistema. Nessa região temos um bom exemplo de técnicas com soluções baseadas na natureza. No local, teremos um espaço que imita uma situação de várzea. Em situações de cheia, quando o rio estiver com uma vazão muito alta, esse trabalho vai permitir que a gente consiga acumular água e reter na bacia, para que se evitem enchentes nas áreas que são mais ocupadas por habitações.
A prefeitura explica que região da bacia do Jacaré já foi uma grande fazenda e conta, hoje, com aproximadamente sete mil habitantes. Até meados do ano passado, moradores de baixa renda não tinham as casas conectadas à rede de esgoto. No local, o saneamento já chegou às comunidades do Cabrito, Vale Verde e Saibreira. Agora estão sendo executadas obras de recuperação da Bacia do Jacaré, principal contribuinte da Lagoa de Piratininga, com as águas que vêm dos 5,9 km de extensão do rio.
A renaturalização da bacia inclui a recuperação do rio, das nascentes e da faixa marginal de proteção, que é uma Área de Preservação Permanente (APP), além da promoção de melhorias no saneamento das comunidades do entorno e da garantia de soluções de drenagem sustentáveis para a Estrada Frei Orlando. Coordenadora do PRO Sustentável, Dionê Marinho diz que os problemas iniciais foram superados.
— A primeira etapa foi a mais difícil, pois precisávamos entender toda a biodinâmica do projeto e o comportamento real hidrográfico do local, juntamente com o trabalho que está sendo realizado de ligação das casas à rede de esgoto. A partir de agora, os avanços serão maiores, e já estamos muito otimistas com os primeiros resultados — explica.
De acordo com a prefeitura, no momento estão sendo executadas as obras de desassoreamento do Jacaré, plantio nos taludes e margens na faixa marginal de proteção, construção de bacias de biorretenção e plantio de árvores para recomposição florestal, além da construção de praças. A meta é aproximar a população do rio e mudar a visão dos que ainda tratam o espaço natural como um valão. O trabalho de conscientização ambiental da comunidade conta com ações das secretarias do Meio Ambiente e do Clima.
Fonte: O Globo
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