
05/09/2023
Duas baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) foram encontradas mortas nesta semana nas praias do Balneário São Januário e nas proximidades da comunidade de Pedrinhas em Ilha Comprida, no litoral paulista.
Segundo o IPec (Instituto de Pesquisas Cananéia), responsável pelo monitoramento diário do trecho que envolve praias da Ilha do Cardoso, Ilha Comprida e Iguape, não foi possível identificar a causa da morte devido ao avançado estágio de decomposição.
As baleias mediam cerca de sete e nove metros cada —quando adulta, a espécie pode chegar até 15 metros.
"Foram os dois primeiros casos que tivemos na temporada, estavam bem decompostos. Pudemos estimar o comprimento e apenas o sexo de um deles, que era um macho", disse Henrique Chupil, pesquisador do IPec. "Pela condição, não foi possível ver se havia alguma interação humana ou patologia associada".
No último fim de semana, um macho adulto de 13,1 metros foi encontrado encalhado na praia de Yemanjá, em Caravelas, no sul da Bahia.
Os casos recentes envolvendo a espécie ainda não preocupam especialistas. De acordo com o Projeto Baleia Jubarte, no estado de São Paulo há apenas quatro registros em todo o ano —os outros dois ocorreram em Ilhabela, em março, e em Ubatuba, em maio.
Até agosto, há 61 registros de encalhes em todo o país, apenas um a mais do que no mesmo período de 2022. No último ano foram contabilizados 108 ao todo, segundo o mesmo projeto.
"Apesar de ser arriscado fazer previsões, estimo que devemos fechar o ano com cerca de 80 a 85 encalhes de jubartes", disse Milton Marcondes, coordenador de pesquisa do Projeto Baleia Jubarte.
Ele ainda explica que o ano de 2023 dá indicativos de normalização no gráfico de mortalidade atípica da espécie, que crescia desde 2019.
"Se observarmos o histórico, vínhamos em um crescimento entre 2019 e 2020, com 66 e 76 ocorrências, respectivamente. O pico de encalhes por mortalidade atípica foi em 2021, com 230", afirma Marcondes.
"Os 108 encalhes de 2022 ainda devem ter carregado um pouco desse impacto e, agora, estaríamos em 2023 voltando à tendência de crescimento normal", afirmou.
No trecho monitorado pelo IPec, em 2022, quatro baleias foram encontradas mortas —número semelhante ao de 2020, com seis, e ao de 2019, com três. O ano atípico foi em 2021, com 21 registros, parte de um recorde em todo o país.
"Existe uma tendência de crescimento de encalhes que se deve ao crescimento da população e tem períodos de mortalidade atípica, que aconteceu a primeira vez em 2010. Depois, em 2017 e 2018. E a última vez em 2021", disse Marcondes. "Devemos voltar a tendência de crescimento de mortes, mas dentro do esperado pelo crescimento da população."
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