
26/09/2023
O aumento da temperatura no Brasil fez o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) emitir alertas de "grande perigo" para áreas localizadas em nove estados do país.
A onda de calor começou na segunda-feira (18) e deve ter o ápice neste fim de semana, com os termômetros podendo marcar até 43°C.
Segundo a Climatempo, as áreas mais afetadas serão Centro-Oeste, Norte e interior do Nordeste.
Em São Paulo, maior cidade da América Latina, os termômetros podem chegar a 37,1°C, de acordo com o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), da Defesa Civil do estado.
Mas o calor não deve ser experimentado da mesma maneira por todos os moradores da capital paulista.
Além da diferença entre a temperatura marcada pelos termômetros, a sensação térmica pode variar muito conforme as condições de moradia, áreas de sombra, número de prédios e arborização dos diferentes bairros, afirmam especialistas.
Na comunidade do Jardim Colombo, no complexo de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, moradores têm sofrido mais do que em outras regiões mais nobres devido à falta de áreas verdes e das casas precárias, com pouquíssima ventilação.
A casa de Maria do Carmo da Silva, apelidada no bairro de Rosinha, é coberta por um telhado de fibrocimento, instalado sem forro e com pouca altura.
Ela conta que, nos dias de calor, a cobertura contribui para esquentar os cômodos significativamente.
Aos 53 anos, ela está desempregada e mora com outras três pessoas em dois quartos.
"No dia a dia, não conseguimos ficar no segundo andar da casa, porque fica muito quente", conta.
"Não tem quase ventilação nenhuma e tenho que improvisar para conseguirmos dormir à noite."
Rosinha usa dois ventiladores para refrescar os quartos, um deles sem a grade plástica de proteção.
"Eu tirei a tampa para tentar ventilar mais", diz.
Ela coloca também uma bacia com água todas as noites ao lado da cama da filha Lorena, de 2 anos, que sofre com asma e bronquite.
"Está sendo muito difícil com ela assim. Semana passada tive que correr com ela [para o hospital] porque ela estava com febre e chegando lá já estava com falta de ar", diz Rosinha, que está tratando a menina com anti-inflamatórios e um aparelho de inalação emprestado de uma vizinha.
De modo geral, um alerta vermelho, segundo o Inmet, é emitido quando é esperado um fenômeno meteorológico de "intensidade excepcional, com grande probabilidade de ocorrência de grandes danos e acidentes, com riscos para a integridade física ou mesmo à vida humana".
Segundo Denise Duarte, professora da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP (Universidade de São Paulo), assentamentos urbanos informais como as favelas tendem a ser densamente povoados e pouco arborizados, o que os torna mais quentes e vulneráveis em momentos de alertas.
A falta de espaço para escoamento do ar quente, decorrente das construções estreitas coladas umas nas outras, ainda impede o resfriamento rápido durante a noite.
E se o entorno não favorece, as condições internas das moradias também são prejudiciais para a saúde dos moradores, de acordo com Duarte.
"Casas nessas zonas tendem a ter telhados metálicos e poucas e pequenas janelas. Nesses casos, não têm passagem do calor ou ventilação cruzada para ajudar a refrescar e a casa vira uma estufa", diz a especialista, que realiza pesquisas sobre microclimas urbanos e conforto climático.
"Em assentamentos informais, como as favelas, moram por vezes mais de 1.000 habitantes por hectare - e não há espaço para abrigar as pessoas. As casas são grudadas e cai muito a qualidade de vida e a qualidade ambiental."
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