
28/09/2023
A Floresta Nacional do Jamari (Flona) completou 15 anos da assinatura da primeira concessão florestal do país. A reserva abrange os municípios de Itapuã do Oeste (RO) e Cujubim (RO) e desde a autorização de manejo dada governo federal, a extração legal de madeira está permitida em 96 dos 220 mil hectares de floresta.
Para saber como está funcionando o manejo das árvores dentro da Flona Jamari, uma década e meia após a concessão, a equipe de reportagem da Rede Amazônica foi convidada para visitar a área.
A tour também teve a presença de diversos órgãos ligados ao meio ambiente, e o objetivo foi acompanhar o trabalho e monitoramento para manter a floresta em pé.
No trajeto até o local onde está sendo realizado o manejo florestal, como é chamado a área selecionada para a derrubada de algumas árvores, foi possível notar que o verde está 100% presente.
A ´remoção´ das árvores de forma sustentável é feita pela Madeflona. A empresa obteve a concessão há 15 anos, mas o plano foi colocado em prática há 13 anos.
O superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Rondônia lembra do dia em que foi assinado a concessão da Flona para o manejo florestal.
Segundo César Luiz da Silva Guimarães, essa prática pode evitar desperdícios de recursos naturais e aumentar a produtividade das florestas, porém é um desafio que exige um olhar voltado ao futuro.
"Não foi fácil fazer a assinatura, houve uma pressão muito grande, uma incerteza também, embora muito respaldado em pareceres técnicos. Mas sabemos que o futuro é muito difícil de ser previsto. Mas aqui hoje o que nós encontramos, 15 anos depois, foi um projeto exitoso e demonstra ser a chave para continuar com esse tipo de exploração madeireira, pois é seguro para quem produz, é seguro para quem controla, ou seja, é uma grande parceria por aqueles que querem aferir um lucro entre aqueles que protegem", afirma o superintendente.
O biólogo e ecólogo Garo Batmanian, diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, afirma que o manejo florestal por meio da concessão tem diversas vantagens, entre elas a permanência da empresa que opera no local por 30 anos, podendo renovar o contrato e realizar um trabalho sólido.
Além da geração de emprego, o manejo tem um olhar voltado para preservação, diferente dos rastros de destruição deixados no desmatamento ilegal.
"O manejo florestal não é desmatamento. No desmatamento você corta todas as árvores, vai embora e deixa a terra nua. No caso do manejo você está tirando quatro árvores por hectare, ou seja, uma área igual a um campo de futebol. Então quem ganha uma concessão florestal tem que seguir regras muitas rígidas, como quais árvores serão extraídas", diz Garo.
Cada árvore retirada da Flona Jamari é etiquetada e marcada. Segundo o ecólogo, a empresa vai fazer isso em 30 ´pedacinhos´.
"A Floresta Nacional do Jamari foi dividida em 30 blocos. No primeiro bloco, 4 árvores são extraídas, mais 4 no segundo e assim sucessivamente, até voltar no 31° bloco. A ciência nos mostrou que a floresta cresce muito rápido nesses 30 anos e volta a quantidade de árvores que tinha", afirma.
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