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Árvores com nomes de ´donos´ e cercadas intrigam em praça de Copacabana: prefeitura diz que vai pedir substituição de espécies inadequadas

28/09/2023

Árvores com placas seguras por cordas na Praça Edmundo Bittencourt, no Bairro Peixoto, em Copacabana, chamam a atenção de moradores dos arredores e de quem passa pelo local. Algumas indicam os nomes dos "donos", com dizeres, como "esta árvore é presente de aniversário de Vitor"; outras têm pedidos para que não sejam acendidas velas próximo a seus troncos.
— Não acho certo botar nome na árvore, como se ela tivesse dono. Já imaginou se todo mundo resolvesse se apropriar de uma árvore e dizer que é sua? Não haveria árvore para todo mundo —reclama o funcionário de um comércio próximo, que costuma passar pelo local.
Presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Peixoto, a bióloga Viviane Köppe Jensen diz que um grupo de residentes iniciou no local uma horta comunitária, há cinco anos, mas não sabe quem colocou as placas, nem as cordas. Ela entende as medidas, no entanto, como uma forma de carinho e proteção.
— Há pessoas que colocam velas em árvores para fins religiosos e muitas acabam formando um buraco no tronco e deixando a base oca, o que faz com que a árvore tombe. Entendo as placas como um movimento positivo de pertencimento ao lugar, de carinho e de proteção. Somos abandonados pelo poder público, que vem só uma vez por ano fazer a poda. Ocupamos a praça e fizemos a horta para legitimar a área de proteção ambiental, já que somos contra a especulação imobiliária, e tivemos o aval da prefeitura depois — afirma Viviane.
A horta comunitária do Bairro Peixoto foi criada por um grupo de moradores no início de 2018. Hoje, o local tem plantas aromáticas, ervas medicinais, Pancs e temperos. E o pomar em torno da praça conta com cerca de 20 pés de árvores de frutas como limão, laranja, tangerina, pitanga, acerola, manga, jabuticaba, romã, mamão, banana, amora, abacate e fruta-do-conde, além de espécies nativas, como ipê e pau-brasil.
— Quando começamos, o canteiro era completamente morto e devastado. Tiramos o matagal que tinha, adubamos e começamos a plantar leguminosas, para trabalhar a terra. Quando vejo a sementinha que plantei desenvolvida, caminhando com as próprias pernas, fico muito feliz — diz a bióloga, que pretende colocar plaquinhas com os nomes de cada espécie para identificá-las. — Ecologistas dizem que tudo o que tem nome provoca mais afeto e respeito.
O espaço é mantido por um coletivo de 50 pessoas que, aos sábados, se revezam para fazer rega, poda, adubo, manejo da composteira (que recebe cerca de cem quilos de resíduos orgânicos semanalmente), controle de pragas, pintura de caixotes e placas de identificação.
Em nota, a Secretaria de Meio Ambiente e Clima, através da Patrulha Ambiental, informa que vistoriou o local, "onde foi constatado plantio de árvores em logradouro público em desacordo com a legislação". E que "a Fundação Parques e Jardins será comunicada para realizar vistoria e avaliação quanto à possibilidade de remoção para substituição das espécies inadequadas e "demais providências, visto possibilidade de danos futuros às calçadas, interferência nos equipamentos, dentre outros".

Fonte: O Globo

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