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Mamíferos podem ter apenas mais 250 milhões de anos de existência, diz pesquisa

03/10/2023

Já se passaram cerca de 250 milhões de anos desde que animais semelhantes a répteis evoluíram para mamíferos. Agora, uma equipe de cientistas está prevendo que os mamíferos podem ter apenas mais 250 milhões de anos de existência.
Os pesquisadores construíram uma simulação virtual do nosso mundo futuro, semelhante aos modelos que projetaram o aquecimento global causado pelo homem ao longo do próximo século. Usando dados sobre o movimento dos continentes pelo planeta, bem como as flutuações na composição química da atmosfera, o novo estudo projetou muito mais para o futuro.
Alexander Farnsworth, um cientista paleoclimático da Universidade de Bristol que liderou a equipe, disse que o planeta pode se tornar muito quente para qualquer mamífero —incluindo nós mesmos— sobreviver em terra. Os pesquisadores descobriram que o clima se tornará mortal em decorrência de três fatores: um Sol mais brilhante, uma mudança na geografia dos continentes e aumento de dióxido de carbono.
"É um golpe triplo que se torna insuportável", disse Farnsworth. Ele e seus colegas publicaram seu estudo na última segunda-feira (25) no periódico Nature Geoscience.
Cientistas têm tentado há décadas prever o destino da vida na Terra. Astrônomos esperam que nosso Sol fique cada vez mais brilhante e, em cerca de 7,6 bilhões de anos, possa engolir a Terra.
Mas a vida provavelmente não durará tanto tempo. À medida que o Sol lança mais energia no planeta, a atmosfera da Terra vai aquecer, fazendo com que mais água evapore dos oceanos e continentes. O vapor de água é um poderoso gás de efeito estufa, e assim ele irá reter ainda mais calor. Em 2 bilhões de anos, pode ficar quente o suficiente para evaporar os oceanos.
Em 2020, Farnsworth voltou sua atenção para o futuro da Terra como uma forma de se distrair da pandemia. Ele se deparou com um estudo que prevê como os continentes se moverão ao redor do planeta em um futuro distante.
Ao longo da história da Terra, suas massas terrestres colidiram para formar supercontinentes, que posteriormente se separaram. O último supercontinente, Pangeia, existiu de 330 milhões a 170 milhões de anos atrás. O estudo previu que um novo supercontinente —chamado Pangeia Última— se formará ao longo do equador daqui a 250 milhões de anos.
Em sua pesquisa inicial, Farnsworth construiu modelos da antiga Terra para reconstruir os climas do passado. Mas ele achou interessante usar seus modelos para ver como será a vida na Pangeia Última. O clima com o qual ele acabou o surpreendeu.
"Este mundo estava muito quente", ele disse.
Farnsworth recrutou Christopher Scotese, um geofísico aposentado da Universidade do Texas que havia criado o modelo Pangeia Última, e outros especialistas para executar simulações mais detalhadas desse futuro distante, rastreando a atmosfera movendo-se sobre os oceanos, o supercontinente e suas montanhas.
"Ele fizeram muito, o que me impressionou bastante", disse Hannah Davis, cientista de sistemas terrestres no Centro Alemão de Pesquisa em Geociências GFZ, que não estava envolvida na pesquisa.
Sob uma série de possíveis condições geológicas e atmosféricas, os pesquisadores descobriram que a Pangeia Última será muito mais quente do que os continentes de hoje. Uma das razões para essa mudança drástica é o sol. A cada 110 milhões de anos, a energia liberada pelo sol aumenta em 1%.
Mas o supercontinente vai piorar as coisas. Por um lado, a terra aquece mais rápido do que o oceano. Com os continentes empurrados para uma única massa de terra gigante, haverá um vasto interior onde as temperaturas podem disparar.

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