
03/10/2023
À primeira vista, a cobertura repleta de vegetação já chama a atenção. Mas o projeto arquitetônico da Casa Abacateiro, como foi intitulado, revela muito mais: a residência é fruto de um minucioso estudo a partir do microclima e da topografia a qual está inserida em Florianópolis, Santa Catarina.
Projetada pelo escritório Baixo Impacto Arquitetura, a construção leva em consideração o entorno, a orientação solar, os ventos predominantes e aspectos como acústica, potenciais visuais e privacidade.
“No processo de construção foram priorizados materiais naturais abundantes na região, como a terra e a madeira de demolição, evitando desperdícios e valorizando saberes ancestrais”, explica a empresa de arquitetura. “Esta forma cuidadosa de projetar e construir fomenta uma relação de cuidado e pertencimento entre humanos e natureza, minimizando os impactos ambientais”, completa.
As várias camadas de jardins que compõem a cobertura, a viga metálica que sustenta um vão de onze metros, a textura dos bambus que filtram a luz solar, as madeiras de demolição para estruturar a casa e as paredes em terra traduzem a riqueza dos materiais que tornam este lar único. Ainda o cimento foi utilizado nos acabamentos do piso e nas bancadas da cozinha. Por opção estética, a crueza de cada material é exposta com suas diferentes texturas e cores.
As necessidades, preferências funcionais, estéticas e o orçamento dos clientes também moldam a Casa Abacateiro. De acordo com o Baixo Impacto Arquitetura, o desejo do casal de proprietários era obter um espaço amplo e acolhedor para receber a família, onde os limites entre o interior e o exterior se fundem harmoniosamente. A partir dessa proposta, a casa se divide em dois blocos distintos, confira abaixo a descrição do próprio escritório.
O bloco Sudoeste abriga os quartos, banheiros e a área de serviço. Ele é mais reservado e sólido, composto por dois pisos e estruturado em concreto. Já o bloco social Nordeste é mais amplo e é definido por uma robusta estrutura de madeiras de demolição, cujas marcas contam uma história. Essa estrutura repousa sobre duas vigas metálicas, que possibilitaram a criação de uma ampla abertura para o espaço externo.
Ao longo de toda a casa, uma sequência de coberturas ajardinadas em diferentes alturas faz parte da estratégia bioclimática adotada, permitindo o controle da entrada de luz solar e ventilação natural, contribuindo para a climatização passiva
Durante o verão, as coberturas sombreiam os espaços internos, enquanto no inverno elas permitem a entrada direta do sol em pontos estratégicos, por meio de aberturas nos vãos entre as coberturas e planos de cobertura translúcidos que utilizam bambu como filtro solar. As aberturas altas entre esses planos também permitem o controle da ventilação e resfriamento durante o verão, utilizando o efeito chaminé.
Separando os dois blocos, uma grande parede de terra crua construída utilizando a técnica artesanal e ancestral de pau-a-pique traz a sensação calorosa da terra, estabelecendo um diálogo com as madeiras robustas e o rodapé de pedra natural. Além disso, ela contribui para a estratégia bioclimática ao reter o calor do sol de inverno durante o dia e liberá-lo gradualmente no final do dia e à noite, aquecendo os quartos nos momentos mais frios.
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