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Milei diz que não cumprirá Acordo de Paris se for presidente da Argentina

10/10/2023

O clima esquentou no segundo e último debate antes das eleições presidenciais da Argentina, neste domingo (8). Em meio ao fogo cruzado entre os candidatos, o ultraliberal Javier Milei, favorito nas pesquisas, disse que a mudança climática não é culpa dos seres humanos e que não cumprirá o Acordo de Paris, que prevê cortes nas emissões de gases-estufa mundiais até 2030.
"Nós não vamos aderir à agenda 2030, nós não aderimos ao marxismo cultural, nós não aderimos à decadência", respondeu o economista ao ser questionado sobre o que faria com o tratado assinado em 2015 pelo país. Ele acrescentou que seu grupo político "foi o único que apresentou uma agenda energética com todas as restrições aplicáveis na Europa, superando as metas".
Momentos antes, quando foi acusado de negar as mudanças climáticas, ele afirmou que não as nega: "O que eu digo é que existe na história da Terra um comportamento cíclico de temperaturas [...] Portanto todas essas políticas que culpam os seres humanos pela mudança climática são falsas, e só servem para arrecadar fundos para financiar socialistas preguiçosos que escrevem documentos de quinta categoria".
O primeiro balanço oficial do Acordo de Paris, divulgado há um mês, apontou que os países precisam aumentar seus esforços para que o planeta consiga limitar o aquecimento global a 1,5°C ou a 2°C, em relação aos níveis anteriores à Revolução Industrial. No ritmo atual, a humanidade está rumo a um aumento de 2,4°C a 2,6°C da temperatura média global.
Não é a primeira vez que Milei faz declarações do tipo. Quando ainda concorria a deputado, em 2021, ele afirmou que "o aquecimento global é outra mentira do socialismo" e que os cálculos são manipulados "para gerar medo". Esse é um dos pontos pelos quais ele é comparado ao ex-presidente Jair Bolsonaro no Brasil, apesar de os dois terem diferenças significativas.
O tema ambiental surgiu quase ao final do debate realizado na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires (UBA), quando os candidatos discutiam "desenvolvimento humano, habitação e meio ambiente", assunto escolhido por votação popular. Segurança e trabalho foram os outros dois eixos do programa, marcado pelo que os jornais argentinos chamaram de "truques evasivos".
A avaliação geral foi de que todos buscaram desviar dos ataques —que não foram poucos—, com mais momentos picantes e menos discussão de propostas do que no primeiro debate, no último domingo (1º). A maioria dos direitos a réplica, por exemplo, acabaram na metade do evento.
Depois de ter evocado uma gripe para justificar seu primeiro desempenho fraco, Patricia Bullrich, candidata linha-dura da coalizão Juntos por el Cambio, mostrou-se mais combativa desta vez, aproveitando o tema que mais domina, já que foi ministra da Segurança do ex-presidente Mauricio Macri.
"Às mães e aos pais, eu digo que se as armas forem liberadas, vão terminar na mão de criminosos, vão massacrar crianças nas escolas", disparou contra Milei, que rebateu dizendo que ela mentia. "Defendemos os cidadãos, não como o kirchnerismo que defende delinquentes", também afirmou Bullrich, citando quatro vezes um escândalo recente de suspeita de corrupção que atinge seu adversário Sergio Massa.
O atual ministro da Economia pelo peronismo, que tem polarizado com Milei nesta reta final da campanha, buscou reforçar suas políticas aos trabalhadores, mas passou boa parte do tempo resistindo a críticas. "[A Argentina deverá escolher entre] voltar atrás, dar um salto ao vazio ou apostar num modelo de produção e desenvolvimento", repetiu.

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