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Pistas da maior tempestade solar já registrada são achadas em lugar inusitado

10/10/2023

Cientistas de uma equipe internacional descobriram sinais da maior tempestade solar já identificada ao analisarem anéis de árvores antigas nos Alpes Franceses. A pesquisa foi publicada nesta segunda-feira (9) na revista Philosophical Transactions A: Mathematical, Physical and Engineering Sciences.
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Se ocorresse atualmente, a tempestade solar em questão seria catastrófica, podendo desativar sistemas de telecomunicações e satélites, causando apagões massivos na rede elétrica e custando bilhões para a França.
Os pesquisadores analisaram os anéis de árvores nas margens erodidas do rio Drouzet. As estruturas, que são subfósseis (restos com fossilização incompleta), sugeriram um aumento significativo nos níveis de radiocarbono há 14,3 mil anos.
Os cientistas sugerem que esse aumento de radiocarbono tenha sido causado por uma enorme tempestade solar que pode ter ejetado grandes volumes de partículas energéticas na atmosfera. Eles chegaram a essa conclusão comparando essa elevação com medições de berílio, um elemento químico encontrado em núcleos de gelo da Groenlândia.
Segundo explica em comunicado Edouard Bard, professor de Evolução Climática e Oceânica no Collège de France, e autor principal do estudo, o radiocarbono é constantemente produzido na atmosfera superior da Terra por uma cadeia de reações iniciadas por raios cósmicos.
"Recentemente, os cientistas descobriram que eventos solares extremos, incluindo erupções solares e ejeções de massa coronal, também podem criar explosões de curto prazo de partículas energéticas que são preservadas como enormes picos na produção de radiocarbono ocorrendo ao longo de apenas um ano", ele conta.
A partir dos anéis de árvores, os cientistas criaram uma linha do tempo com um método chamado dendrocronologia, segundo detalha Cécile Miramont, professora associada de Paleoambientes e Paleoclimas no Instituto Mediterrâneo de Biodiversidade e Ecologia (IMBE), na França. "Isso nos permitiu descobrir informações inestimáveis sobre mudanças ambientais passadas e medir o radiocarbono ao longo de um período inexplorado de atividade solar", ela diz.
Tempestades solares extremas poderiam hoje em dia causar apagões enormes e generalizados que durariam meses, além de danos permanentes em satélites e riscos graves de radiação para astronautas, conforme avalia Tim Heaton, professor de Estatística Aplicada na Escola de Matemática da Universidade de Leeds, na Inglaterra, que esteve envolvido no estudo.
Nove tempestades solares, conhecidas como Eventos Miyake, foram identificadas como tendo ocorrido nos últimos 15 mil anos: as mais recentes foram em 993 d.C. e 774 d.C. Já a tempestade de 14,3 mil anos recém-identificada é ainda pior que esses eventos, tendo aproximadamente o dobro da intensidade desses últimos dois episódios.
O acontecimento recém-registrado nos anéis de árvore também foi mais grave que a maior tempestade solar diretamente observada, que ocorreu em 1859 e é conhecida como Evento de Carrington. Na ocasião, houve a destruição de máquinas de telégrafo e surgiu uma aurora noturna tão brilhante que os pássaros começaram a cantar, acreditando que o sol havia começado a nascer.
Os pesquisadores destacam que ainda temos muito a aprender sobre o comportamento do Sol e os perigos que ele representa para nós aqui na Terra. Não sabemos o que causa tais tempestades solares extremas, com que frequência elas podem ocorrer ou se podemos de alguma forma preveni-las.
Mas o radiocarbono é uma maneira fenomenal de estudar a história da Terra e reconstruir eventos críticos do passado, segundo Heaton. "Uma compreensão precisa de nosso passado é essencial se quisermos prever com precisão nosso futuro e mitigar riscos potenciais", ele afirma. "Ainda temos muito a aprender."

Fonte: Revista Galileu

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