
10/10/2023
O mês passado teve o mais alto índice de desmatamento para o mês de setembro já registrado no cerrado. Foram perdidos 679,7 km². A maior marca até então para o período era de 451,5 km², em setembro de 2018. Em relação ao mesmo mês em 2022, o crescimento foi de 149% no bioma.
Na amazônia, a destruição da floresta foi de 629,3 km² em setembro, caindo 56,7% na comparação com esse período no ano passado. Em 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi atingido o número mais alto para setembro, com 1.454,7 km².
Somada, a área perdida nos dois biomas no último mês foi de 1.309 km². Os dados são do Deter, sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que reúne informações para o combate ao desmate quase em tempo real, divulgados nesta sexta-feira (6). A série histórica recente do sistema tem início em 2015 para a amazônia e em 2018 para o cerrado.
Na base de dados pública do sistema, os dados estão atualizados até o dia 29 de setembro. Em nota divulgada no final da tarde desta sexta, porém, o MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) considerou os números até a última data do mês. Assim, a Folha atualizou esta reportagem.
O avanço do desmatamento no cerrado é maior na região conhecida como Matopiba (que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Ela concentra a porção mais conservada do bioma —ao mesmo tempo, é uma nova fronteira do agronegócio.
Ao contrário da amazônia, no cerrado o desmatamento ocorre principalmente em propriedades privadas. Um dos motivos para isso é que, segundo o Código Florestal, no bioma é possível desmatar até 80% da área deste tipo de imóvel (ou até 65% em locais de transição para a floresta amazônica), enquanto na amazônia o limite é de 20%.
O cerrado é o segundo maior bioma brasileiro e corresponde a quase um quarto de todo o território nacional (23,3%).
Já na região amazônica, os números continuam a cair mesmo na temporada de seca, quando normalmente são registrados os piores índices do ano. Desde abril, o governo do presidente Lula (PT) tem destacado o aumento em ações de fiscalização —como embargos, multas, apreensões e destruição de equipamentos usados no desmate— em resposta ao crime ambiental.
O Deter mapeia e emite alertas de desmate com o objetivo de orientar ações do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e outros órgãos de fiscalização. Os resultados representam um alerta precoce, mas não são o dado fechado do desmatamento.
Os números oficiais são de outro sistema do Inpe, o Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), e são divulgados duas vezes ao ano.
Para Yuri Salmona, diretor-executivo do Instituto Cerrados, o novo recorde é explicado pela insuficiência das ações governamentais no bioma. "É imprescindível que o governo e os estados entendam que as políticas públicas usadas para proteger a amazônia em grande parte não cabem no cerrado, porque o contexto é muito diferente", afirma.
Entre as singularidades da região, ele destaca que é imprescindível que haja maior controle e critérios mais rigorosos para as autorizações de supressão de vegetação concedidas aos produtores rurais, em especial pelas secretarias de meio ambiente estaduais.
Leia a matéria na íntegra clicando na Folha de S. Paulo
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