
17/10/2023
"Caça submarina na Lagoa?! Pois é, ninguém imaginou que isso seria possível pois a Lagoa era considerada um ecossistema perdido". A frase é do biólogo Mário Moscatelli e foi postada esta semana em suas redes sociais. Moscatelli celebra a novidade como resultado do trabalho que vem sendo capitaneado por ele há mais de três décadas. O biólogo luta contra crimes ambientais e em defesa dos mangues da Lagoa Rodrigo de Freitas desde 1989. Alguns internautas, porém, se mostraram contrários à prática.
O biólogo conta que apesar de estar no local quase que diariamente nunca tinha visto, nem sequer ouvido falar em caça submarina na Lagoa Rodrigo de Freitas. Moscatelli diz que desconhece qualquer impedimento legal para a pesca submarina na Lagoa e acrescenta que, se pudesse escolher, ela não existiria. Mas celebra a melhoria acentuada da água, que é o que possibilita a atividade.
— Eu pessoalmente advogo em favor dos animais e é claro que eu preferiria que não houvesse caça submarina ou, caso houvesse, que se respeitassem as dimensões dos peixes e que fossem pescados apenas os animais maiores, visando a assegurar o ciclo de vida deles. Mas destaco que o que me chamou a atenção foi a possibilidade de ter a caça submarina, por conta da melhoria acentuada da qualidade da água — explica.
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O ambientalista diz que a receita para esta melhora não tem mistério, mas é trabalhosa:
— Parar de jogar esgoto é a receita simples e perfeita para a recuperação gradual dos ecossistemas que por décadas foram utilizados como latrinas. Isso vale para a Lagoa, para a Baía de Guanabara e para o sistema lagunar de Jacarepaguá. Reduzindo progressivamente o aporte de esgoto até sua neutralização total nas águas dos ecossistemas eles terão finalmente a chance de serem recuperados integralmente. Leva tempo e dá trabalho, mas o resultado é certo — diz, acrescentando que sem esgoto se reduz a turbidez da água, e os níveis de oxigênio se mantêm mais estáveis. — Além disso, evitam-se as multiplicações excessivas de algas, que também comprometem a clareza da água.
De acordo com o decreto municipal 18.415, de 1º de março de 2000, que estabeleceu os parâmetros de uso do espelho d´água da Lagoa Rodrigo de Freitas, a pesca artesanal é permitida no local.
Na publicação de Moscatelli nas redes sociais, muitos comentários celebraram a qualidade da água e o trabalho do biólogo. Outros, porém, criticam a caça submarina.
"Sinceramente? Acho que a pesca deveria ser proibida na Lagoa. Essa é uma área pequena e de ecossistema vulnerável. Essas pessoas pescam como lazer…", disse um deles.
"O pescador só podia ter deixado esses robalos pequenos terem passado e esperado os maiores (que já tiveram tempo de reproduzir)", disse outro.
"Que horror", resumiu mais um comentário.
Um dos usuários sugeriu ainda que com a novidade sejam criadas leis: "Agora já podemos então criar leis de proteção para o robalo. Um peixe esportivo e que pode ter esse lado bem explorado. Na Flórida tem defeso, tamanho mínimo e máximo para comer e pesca só de linha. Mínimo de 71cm e máximo de 81 cm e um peixe por dia".
Fonte: O Globo
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