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RJ desperdiça mais de R$ 2 bi em resíduos recicláveis

24/10/2023

Em 2021, mais de 2 milhões de toneladas de resíduos sólidos pós-consumo com potencial de reciclagem foram enviados para aterros no estado do Rio de Janeiro. Esse volume representa mais de R$ 2 bilhões em recursos, literalmente enterrados. A estimativa faz parte do Mapeamento de Recicláveis Pós-Consumo no Estado do Rio de Janeiro 2023, elaborado pela Firjan (Federação da Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) e que está em sua segunda edição com recorte estadual.
“A geração total de resíduos sólidos urbanos (RSU) no estado do Rio é de aproximadamente 7,5 milhões de toneladas anuais. O Mapeamento identifica os pontos de geração e destinação desses resíduos e indica oportunidades de fortalecimento de toda a cadeia da indústria da reciclagem no estado”, explica Isaac Plachta, presidente do Conselho Empresarial de Meio Ambiente da Firjan.
A separação do resíduo no momento da geração é fundamental para a valorização do material pela reciclagem. O estudo mostra um avanço na separação dos resíduos pós-consumo gerados por empresas, que saltou para 35,8% do fluxo, um percentual mais expressivo do que os 20,9% encontrados em 2019, indicando um avanço na recuperação de resíduos pós-consumo no estado. Já a separação de resíduos sólidos urbanos, representada pelo percentual de coleta seletiva, permanece tímida: 1,3% do total.
“Não houve mudança representativa do regramento de gerenciamento de resíduos desde 2019 que tenha determinado uma maior segregação dos resíduos nas empresas. O avanço observado foi provavelmente induzido pelo mercado e pelas práticas ESG. A gestão de resíduos é o critério ambiental de ESG mais aplicado pelas empresas em suas operações”, afirma Jorge Peron Mendes, gerente de Sustentabilidade da Firjan.
O Mapeamento mostra as regiões do estado que absorvem os resíduos nas atividades de reciclagem. A capital continua sendo a região mais representativa, concentrando 50,3% dos recicláveis recebidos. O plástico se mantém como o tipo de resíduo com maior capilaridade, sendo reciclado em diversas regiões.
Foram identificadas 266 empresas que atuam no encadeamento produtivo da reciclagem. Apesar de o quantitativo ser semelhante ao encontrado na edição anterior do estudo, 22,2% dessas empresas não apareciam na listagem anterior. Isso denota o dinamismo do mercado de reciclagem no estado do Rio de Janeiro, que apresenta uma rápida desmobilização ou reestruturação para receber e processar recicláveis. Essa fluidez espelha um mercado ainda incerto e que precisa de políticas públicas para se manter estável, formal e competitivo.
“O Mapeamento aponta que o fortalecimento do Rio de Janeiro como estado reciclador depende de políticas públicas que acolham a ressignificação dos resíduos, estratégia já incorporada no Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), no conceito de economia circular e no reconhecimento da valorização de resíduos como um mercado. Seria preciso, entre outras medidas, fortalecer o setor, desde a cooperativa de catadores até a indústria recicladora”, ressalta Carolina Zoccoli, especialista em Sustentabilidade da Firjan.
Desde a triagem até a sua efetiva incorporação em novos produtos acabados, os resíduos têm potencial de gerar emprego, renda e arrecadação de impostos. A recuperação de mais de 2 milhões de toneladas de resíduos sólidos não aproveitados seria capaz de encadear nas indústrias de fabricação de papel e papelão, de plástico e na metalurgia um investimento produtivo adicional na economia do país em torno de R$ 4,74 bilhões, além do investimento inicial de R$ 2 bilhões. Além disso, outro impacto estimado é a geração de R$ 9,17 bilhões em renda e 31,9 mil novos empregos, sendo 13,8 mil diretos e 18,1 mil indiretos.
Estratégias de circularidade que reduzem a demanda por matérias-primas e produtos virgens reduzem as emissões de gases de efeito estufa (GEE) provenientes da produção. Além de ser relevante para a economia e o desenvolvimento local, a reciclagem pode ser, portanto, uma importante ação de mitigação das mudanças climáticas.
Se o volume de materiais potencialmente recicláveis que seguiu para aterro em 2021 no estado tivesse sido reciclado, teriam sido evitadas as emissões de 5,3 milhões de toneladas de carbono equivalente (t CO2eq). “Esse volume equivale à fixação de carbono por mais de 37 milhões de árvores ou 22,3 mil hectares plantados: uma floresta 5,6 vezes maior do que o Parque Nacional da Floresta da Tijuca. Se recuperados, os 2 milhões de toneladas de resíduos recicláveis aterrados poderiam gerar R$ 261 milhões em créditos de carbono”, estima Renata Rocha, analista em Sustentabilidade da Firjan.

Fonte: CicloVivo

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