
26/10/2023
Apesar do avanço das energias limpas, a demanda por combustíveis fósseis está elevada demais para permitir a concretização dos objetivos mais ambiciosos de contenção do aquecimento global, destaca a AIE (Agência Internacional de Energia).
Em seu relatório anual, publicado a um mês da conferência climática COP28, a AIE considera que, "na atual situação, a demanda por combustíveis fósseis deve continuar muito elevada" para manter a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris, assinado em 2015, que pretende limitar o aquecimento global a 1,5°C na comparação com a era pré-industrial.
"Alcançar a inflexão da curva de emissões para conter o aquecimento em 1,5°C ainda é possível, mas o caminho se anuncia muito difícil", alerta a AIE no relatório de 354 páginas.
"Apesar do crescimento impressionante das energias limpas", as emissões de gases de efeito estufa continuarão sendo suficientemente consideráveis para elevar a temperatura média mundial em 2,4°C ao longo deste século.
O documento foi divulgado a poucas semanas das negociações cruciais da 28ª Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, que ocorrerá em Dubai de 30 de novembro a 12 de dezembro.
"A transição para uma energia limpa está em curso no mundo inteiro e é inevitável. Não é uma questão de ´se´, mas simplesmente uma questão de ´quando´. E quanto mais cedo, melhor para todo mundo", declarou Fatih Birol, diretor-executivo da AIE, ao comentar o relatório em um comunicado.
O relatório prevê que, em 2030, o planeta terá dez vezes mais veículos elétricos em circulação e que a contribuição das energias renováveis para a geração de energia elétrica mundial se aproximará dos 50%, contra os 30% da atualidade.
Os investimentos em energias limpas aumentaram 40% desde 2020, mas "são necessárias políticas mais firmes" para alcançar a meta de 1,5°C, destaca a AIE, que reitera o pedido para triplicar a capacidade de energias renováveis até 2030.
"Levando em consideração as tensões e a volatilidade que caracterizam atualmente os mercados energéticos tradicionais, as afirmações de que o petróleo e o gás representam opções seguras e tranquilizadoras não têm fundamento", disse Birol.
Recentemente, o cartel de exportadores de petróleo, a Opep, afirmou que o mundo ainda precisará das energias fósseis durante muitos anos.
A previsão da AIE é que a demanda de gás, petróleo e carvão alcançará o pico nesta década.
No cenário elaborado com base nas políticas atuais, a contribuição dos combustíveis fósseis para o abastecimento global de energia, que permaneceu em 80% durante décadas, cairá para 73% até 2030.
"Os governos, as empresas e os investidores devem apoiar as transições para energias limpas, em vez de prejudicá-las", acrescentou Birol, que citou as "vantagens" das tecnologias descarbonizadas para a segurança do abastecimento, dos empregos e da qualidade do ar.
Na corrida para lutar contra a mudança climática, os países devem, em particular, "redobrar a colaboração e a cooperação".
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