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Mundo perde quase US$ 10 bilhões com descarte de metais “invisíveis”

26/10/2023

Brinquedos eletrônicos, cabos, escovas dentais elétricas. Em todo o mundo, uma quantidade imensurável de resíduos eletrônicos vão parar no lixo diariamente. Uma nova pesquisa da ONU joga luz para os pequenos itens de consumo que muitas vezes não são reconhecidos pelos consumidores como lixo eletrônico. A organização calcula que 9,5 bilhões de dólares estão sendo jogados fora, anualmente, devido à má prática.
A categoria “invisível” de eletroeletrônicos inclui teclados de computador, fones de ouvido, equipamentos médicos, barbeadores, controles remotos, entre outros diversos dispositivos presentes no cotidiano.
O vape (cigarro eletrônico) – que é bastante usado por jovens apesar de sua comercialização e importação ser proibida no Brasil – contém lítio, o que torna a bateria recarregável, mas também causa sérios riscos de incêndio quando o dispositivo é descartado – além de seu descarte correto ainda ser bastante incerto.
Foram estimados 844 milhões de dispositivos vape descartados por ano, que equivalem a uma montanha de lixo eletrônico igual a três vezes o peso da Ponte de Brooklyn, em Nova Iorque, ou de seis Torres Eiffel.
Ao todo, são cerca de 9 bilhões de quilos de eletrônicos por ano que passam despercebidos pelos consumidores, estima o novo estudo. Do total, cerca de 3,2 bilhões de quilos são brinquedos eletrônicos: conjuntos de carros de corrida, trens elétricos, brinquedos musicais, bonecos falantes e outras figuras robóticas somam 7,3 bilhões de itens individuais descartados anualmente. A média é de um brinquedo eletrônico para cada pessoa na Terra.
O estudo também descobriu que 950 milhões de kg de cabos contendo cobre precioso e facilmente reciclável foram descartados no ano passado – cabo suficiente para dar a volta à Terra 107 vezes.
O valor das matérias-primas no lixo eletrônico global gerado em 2019 foi estimado em 57 bilhões de dólares, a maior parte atribuída a componentes de ferro, cobre e ouro. Do total global, 1/6 ou 9,5 bilhões de dólares em valor material por ano está na categoria de lixo eletrônico invisível.
Um estudo anterior da ONU já havia detectado que apenas 3% do lixo eletrônico da América Latina é descartado e tratado da forma correta, perdendo anualmente US$ 1,7 bilhão. Sendo o Brasil o que mais gera resíduos do tipo no continente, um desperdício econômico considerável também está ocorrendo no país. Além disso, trata-se de uma grande problema ambiental, uma vez que tais componentes são formados por várias substâncias perigosas à saúde humana e ao meio ambiente.
“As pessoas tendem a reconhecer os produtos elétricos domésticos como aqueles que conectam e usam regularmente. Mas muitas pessoas não reconhecem alguns produtos alimentados por bateria ou com fio como produtos elétricos porque não têm plugue. Eles também desconhecem os componentes perigosos que o lixo eletrônico contém. Se não forem tratadas adequadamente, substâncias como chumbo, mercúrio ou cádmio podem infiltrar-se e contaminar o solo e a água”, afirma Pascal Leroy, Diretor Geral da associação WEEE Forum.

Fonte: CicloVivo

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