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Morgan Freeman: ´Todos sabemos sobre as mudanças climáticas, nós estamos causando isso´

31/10/2023

A voz rica e majestosa de Morgan Freeman agraciou, ao longo dos anos, vários documentários sobre religião, refugiados judeus e até pinguins. E o próximo tem escopo e tema apropriados para um homem popularmente conhecido como a voz de Deus: toda a história da vida na Terra.
“Life on Our Planet”, uma série de oito partes que estreia quarta-feira na Netflix, acompanha os espectadores através de bilhões de anos, desde o início dos tempos. Começando com células numa sopa primordial e percorrendo a era dos dinossauros e o desenvolvimento da civilização humana, a série traça a ascensão e queda de inúmeras espécies. Como narra Freeman, o programa retrata as “grandes batalhas pela sobrevivência e as dinastias que dominariam o mundo”.
Produzido pela Silverback Films em associação com a Amblin Television, de Steven Spielberg, o programa utiliza efeitos visuais para evocar criaturas pré-históricas realistas, incluindo mamutes peludos, um dinossauro de quatro asas chamado Anchiornis e, claro, o Tiranossauro Rex. Os efeitos visuais representam de 30% a 40% de cada episódio; enquanto o restante são cenas filmadas em 45 países, incluindo Equador, Costa do Marfim, Marrocos e Reino Unido.
Apesar do título, esta saga planetária frequentemente se concentra na morte. Cena após cena, predadores perseguem suas presas: um réptil voador ataca uma tartaruga marinha desavisada, um crocodilo olha para um gnu e uma lula ataca um camarão, as caçadas carregadas de suspense pela voz estrondosa de Freeman.
“O camarão nem imaginou que isso aconteceria”, diz ele, enquanto a lula saboreia sua refeição.
A morte também atinge espécies inteiras, com a série pontuada por cinco extinções em massa que juntas matam milhões de criaturas. Cada evento destrói um grupo de animais e abre caminho para outro, progredindo dos invertebrados aos dinossauros e, eventualmente, aos mamíferos. Freeman, vencedor do Oscar, espera que os espectadores permaneçam até o final da série, quando ocorre a ascensão dos humanos – a única espécie capaz de provocar sua própria extinção em massa.
“Foi dito que Deus criou os céus e a terra e colocou o homem no controle”, disse Freeman em entrevista este mês. “Seria um grande erro se Deus realmente fizesse isso, porque em apenas alguns milhões de anos quase criamos outro evento de nível de extinção.”
Numa entrevista por telefone a partir da sua casa no Mississippi, Freeman falou sobre as raízes do seu estilo vocal inconfundível, a sua admiração por David Attenborough e os seus receios sobre o futuro do nosso planeta. Aqui estão trechos editados da conversa.

Como você decidiu ingressar neste projeto?
Bem, o próprio planeta e a sua história me interessam. Eu me considero um “planetista” porque estou preocupado principalmente com o que está acontecendo na Terra.

Quando você começou a se preocupar?
Ah, não sei quando começou. Isso acontece aos poucos, sabe, observando como as coisas estão indo. Todos sabemos sobre as mudanças climáticas. É algo da humanidade. Nenhum outro animal está causando isso. Nós estamos causando isso e está acontecendo; podemos observar agora.

Fiquei curioso sobre sua rotina quando você está narrando. Qual é o seu processo?
Havia um roteiro. Havia um microfone de estúdio. Algumas (cenas) exigem muitas tomadas. Porque se você lê um parágrafo e confunde uma ou duas palavras, precisa voltar e consertar. Particularmente nesta série, há muitas dessas criaturas com nomes meio enlouquecedores. Gravei em Mobile, Alabama. Eu moro na costa do Alabama, então se eu conseguir trabalho enquanto estiver por lá, basta ir a esse estúdio que frequento em Mobile.

Quantas horas você passava por dia no estúdio?
Se bem me lembro, estive lá por mais de dois dias. Talvez duas a três horas por dia.

Ao relembrar os documentários anteriores que narrou, quais se destacam para você?
Eu fiz “A marcha doss pinguins” e foi incrível. Eu realmente aprendi um pouco sobre como os pinguins vivem e interagem.

Uma das coisas que me interessou nesta série é que ela vai até o início dos tempos e recria essas criaturas usando efeitos visuais.
Ah, sim. Quando você está narrando, é na verdade um processo de aprendizagem em si. Então acho esse tipo de documentário muito interessante. Parte da alegria é aprender tudo isso. Você simplesmente absorve e isso passa a ser parte de você de alguma forma.

Quais diferenças você percebe entre narrar e atuar?
Quando você está narrando, o objetivo é tentar ser claro e não ter um tom monótono. Acho que é um truque, um dom ou algo assim. Parece que sou muito bom nisso. Sou um grande fã de David Attenborough. Ele tem aquele jeito de transmitir informações.

Você é conhecido por ter uma voz muito distinta. Como desenvolveu isso?
Quando eu estava na escola, em Los Angeles, tinha aulas de artes cênicas, que incluíam desenvolvimento de voz. E eu tive um instrutor muito bom lá. Esse foi o começo.

Como é o seu dia a dia?
Eu me levanto. Duas a três vezes por semana vou à academia, malho, me alongo. Jogo golfe todos os dias, se o tempo permitir. A vida tem uma rotina: café, quebra-cabeças e outras coisas com minha senhora, e jogar golfe à tarde.

O que você espera que as pessoas aprendam com essa série?
Como a vida é tenaz. Se conseguirmos obter informações suficientes a tempo, as coisas provavelmente mudarão, mas não para muitos de nós. O próprio planeta é o que está vivo. E não precisamos estar aqui.

Fonte: O Globo

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