
31/10/2023
Algumas das principais lavouras tropicais do mundo, incluindo os cafezais e cacaueiros do Brasil, correm risco de ficar sem os insetos que polinizam suas flores por causa da crise climática. A abundância desses animais, cuja presença é essencial para a produção de uma grande variedade de frutos, pode cair para menos da metade num planeta mais quente, calcula um novo estudo.
Segundo a pesquisa, publicada recentemente no periódico Science Advances, os países cuja produtividade agrícola tem mais chance de ser afetada são, além do Brasil, a China, a Índia, a Indonésia e as Filipinas. Frutas como a manga e a melancia estão na lista das que podem sofrer com a falta de polinizadores, ao lado do cacau e do café.
Coordenado por Joseph Millard, do Museu de História Natural de Londres, o estudo também é assinado por Luísa Carvalheiro, da Universidade Federal de Goiás, e Felipe Deodato da Silva e Silva, do Instituto Federal de Mato Grosso.
Os pesquisadores cruzaram dados sobre 2.673 localidades do planeta e 3.080 espécies de insetos polinizadores. Carregar pólen de uma flor para outra, um "trabalho" desempenhado por animais como abelhas, besouros, borboletas e muitos outros, é um passo essencial para a reprodução de muitas plantas que não são capazes de fecundar a si mesmas.
No estudo, a equipe avaliou o que aconteceria em dois cenários diferentes —aumentos de temperatura de 1,5°C e 3°C (em relação às temperaturas médias antes do uso de combustíveis fósseis no mundo) até o fim deste século. Usaram modelos matemáticos para prever como os polinizadores responderiam a essas mudanças, levando em conta os habitats em que vivem hoje. Nos trópicos, onde o calor já é elevado, essas mudanças tendem a ser mais severas para o funcionamento do organismo dos insetos.
Embora ainda não haja certeza sobre como a diminuição da abundância de polinizadores pode afetar uma lavoura —seria possível, por exemplo, que um número bem menor de indivíduos "tapasse o buraco" dos que sumiram?—, o cenário é preocupante.
É possível, por exemplo, que pareça estar tudo bem com a polinização até um certo limiar da presença dos polinizadores —até 40% dos que existem hoje, digamos—, mas a perda de mais 1% dos remanescentes seria suficiente para fazer o mecanismo colapsar de repente.
Saiba mais sobre esta reportagem acessando a Folha de S. Paulo
Rio lança Dia da Praia inédito no mundo e faz mutirão gigante com limpeza em 60 pontos da orla
30/06/2026
Céu absurdamente estrelado é registrado em parque no Rio
30/06/2026
Inspirado no Super Trunfo, jogo de cartas revela frutas amazônicas
30/06/2026
El Niño ameaça SP com caos climático ao unir fogo, temporal e seca
30/06/2026
Caverna no Paraná revela influência da Antártida e do El Niño em chuvas extremas no Sul do Brasil
30/06/2026
O desafio (e o risco) de comprovar o plástico reciclado na embalagem
30/06/2026
