
31/10/2023
A inacreditável recuperação ambiental de uma minúscula ilha do Caribe que, em poucos anos, deixou de ser uma rocha isolada para se tornar um paraíso verde de vida selvagem, chamou atenção de ambientalistas em todo o mundo.
A perseverança dos moradores de Antígua e Barbuda foi responsável pela metamorfose da pouco conhecida ilha Redonda, a terceira maior do país. Agora, eles comemoram mais uma importante conquista.
Com 1,6 km de comprimento, Redonda foi oficialmente declarada área de proteção pelo governo do país. A designação garante ao local status oficial como ponto de reprodução essencial para aves migratórias.
Lar de espécies que não são encontradas em nenhum outro lugar do planeta, a ilha agora será preservada indefinidamente.
A Reserva do Ecossistema de Redonda também engloba a vegetação marinha da região e um recife de corais. Ao todo, ela cobre uma área de 30 mil hectares.
Sua imensa extensão significa que o país já fez a sua parte para atingir a meta "30x30", um movimento global que pretende que 30% do planeta sejam áreas de preservação ambiental até 2030.
Redonda atualmente vê um surto de biodiversidade. A ilha é o lar de dezenas de espécies ameaçadas, colônias de aves marinhas de importância mundial e lagartos endêmicos.
Mas nem sempre foi assim.
No passado, ratos pretos invasores atacavam répteis e se alimentavam dos ovos das aves. Cabras levadas até a ilha por antigos colonizadores devastaram a vegetação de Redonda, deixando a ilha com um aspecto inóspito, que mais parecia a superfície da Lua.
Em 2016, foi lançado um projeto ambicioso que retirou as cabras e erradicou os roedores. Com isso, a cobertura vegetal voltou à ilha e, com ela, a quantidade de espécies nativas aumentou exponencialmente.
Este trabalho foi coordenado pela ONG local Environmental Awareness Group (EAG), em cooperação com o governo de Antígua e Barbuda e parceiros internacionais, como a Fauna and Flora International (FFI).
A diretora-executiva da EAG, Arica Hill, descreve o novo status de proteção como "imensa vitória para os antiguanos".
"É a maior área marinha protegida do leste do Caribe", segundo ela, "o que demonstra o brilhante trabalho que os conservacionistas e ambientalistas podem fazer na sua própria casa."
"É ainda mais significativo que o governo também nos confiou sua administração legal", prossegue Hill.
O grupo está conduzindo estudos de viabilidade, na esperança de reintroduzir espécies que eram encontradas em Redonda muitos anos atrás, como a coruja-buraqueira, uma pequena ave marrom que faz seus ninhos no subsolo.
A EAG também está desenvolvendo um sistema de controle para garantir que a ilha permaneça livre de espécies invasoras. Este sistema inclui câmeras de vigilância e o monitoramento das atividades de pesca do local, que precisam respeitar normas rigorosas.
Jenny Daltry, da FFI, afirma que as ilhas do Caribe enfrentam as mais altas taxas de extinção da história moderna. Isso significa que a restauração e proteção de áreas como Redonda é "fundamental".
Desde o início dos trabalhos, 15 espécies de aves terrestres retornaram para a ilha. E o número de lagartos endêmicos disparou - como o chamado dragão de Redonda, ameaçado de extinção.
No passado, moradores haviam apelidado Redonda de "a rocha". Agora, são os seus mais firmes guardiões, segundo Shanna Challenger, da EAG.
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