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Filhotes de ararinha-azul nascem no sertão baiano após 37 anos

31/10/2023

Após 37 anos, dois filhotes de ararinha-azul (espécie Cyanopsitta spixii) nasceram no município de Curaçá, no norte da Bahia. A espécie é endêmica da região, o que significa que ocorre exclusivamente na cidade. O nascimento foi há 10 dias, mas só foi divulgado nesta segunda-feira (30) para garantir a segurança das aves.
Eles estão sendo monitorados nessa fase mais delicada. O nascimento deles é considerado um marco pelos pesquisadores responsáveis pela reintrodução das ararinhas-azuis no sertão baiano. A ONG alemã Associação para a Conservação de Papagaios Ameaçados (ACTP) está à frente dessa iniciativa junto com o instituto chico mendes de conservação da biodiversidade.
Há 20 anos criadores privados e zoológicos ajudaram a reunir as aves que estavam em cativeiro. As ararinhas começaram a ser soltas no ano passado. De lá para cá, a espécie tem evoluído na adaptação à verdadeira casa.
Os filhotes são fruto do casal formado pelo macho "Bizé", que ganhou vida livre na primeira soltura, em junho de 2022, e recebeu o nome em homenagem a um morador curaçaense, com uma fêmea liberada em dezembro do ano passado. Esse casal e os filhotes recém-nascidos formaram a primeira família de ararinhas-azuis em vida livre.
A reprodução aconteceu em dos ninhos artificiais fixados no alto de uma caraibeira, uma das árvores preferidas das ararinhas. Segundo os pesquisadores do projeto, a taxa de sobrevivência é muito baixa nas primeiras semanas após o nascimento. Por isso, especialistas que fazem parte do projeto evitaram acessar o ninho para não perturbar os animais.
"A primeira ninhada de ovos se mostrou infértil, mas a determinação do casal prevaleceu, e a segunda ninhada continha dois ovos férteis, levando ao nascimento de dois filhotes saudáveis", disse o diretor da ACTP no Brasil, Cromwell Purchase.
De acordo com os pesquisadores, os pais de primeira viagem estão se saindo bem nos cuidados iniciais, o que representa mais um marco promissor para o futuro da espécie.
"Essa notícia nos enche de esperança e motiva para continuarmos firmes no trabalho fundamental de reflorestamento junto à comunidade, para que possamos proporcionar para a nova geração de ararinha-azuis alimento e moradia em seu novo lar", contou o diretor da Bluesky, Ugo Vercillo, responsável pelo projeto de reflorestamento das unidades de conservação e parceira na gestão do Centro de Reintrodução da Ararinha-azul.
As ararinhas-azuis da espécie spixii ficaram bem conhecidas após o filme "Rio". Elas chegaram a ser consideradas extintas da natureza por mais de 20 anos.
Um trabalho de reintrodução da espécie no habitat natural, feito pela ONG alemã ACTP e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), repatriou 52 aves da espécie, há 3 anos. Todas foram recuperadas de cativeiros fora do Brasil.
Depois, passaram uma temporada em um viveiro da ONG alemã, no país europeu. E, em 2020, foram levadas para um viveiro construindo para elas, em Curaçá, na caatinga baiana, habitat natural das ararinhas.
Em 2022, as aves começaram a ser soltas na natureza gradativamente. Em junho, oito ararinhas-azuis ganharam vida livre no local. Em dezembro, mais 12 foram soltas.

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