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Nove em cada dez indústrias adotam medidas para reduzir resíduos sólidos, diz estudo da CNI

28/11/2023

A uma semana do início da 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-28), em Dubai, as indústrias brasileiras querem mostrar que estão empenhadas na transição para um modo de produção mais sustentável. Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com executivos de mil empresas do setor de pequeno, médio e grande portes, aponta que 89% já adotam medidas para reduzir a geração de resíduos sólidos.
As ações para otimizar o consumo de energia e água já fazem parte da estratégia de mais de 80% das indústrias que participaram do levantamento (86% e 83%, respectivamente). Apenas 3% dos entrevistados admitiram que suas empresas não desenvolvem nenhuma medida relacionada à sustentabilidade.
O uso de fontes renováveis de energia, principalmente solar, é a estratégia mais frequentemente citada pelos executivos (42%) para incrementar as ações sustentáveis nos próximos dois anos. Na lista de prioridades estão ainda a modernização de máquinas (36%) e medidas para otimizar o consumo de energia (32%).
- Várias empresas brasileiras já identificaram essa oportunidade e inseriram a sustentabilidade dentro da sua estratégia corporativa. Tudo isso colocado dentro de um arcabouço estratégico traz para a indústria brasileira uma oportunidade de negócio para ser cada vez mais competitiva dentro das cadeias globais de valor - diz o gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo.
Para mostrar que a indústria brasileira está no caminho certo, Ricardo Alban, presidente da CNI, usa como exemplo a indústria cimenticia, um segmento intensivo em uso de energia, que hoje tem índices de emissões de gases de efeito estufa 10% menores do que a média mundial para a atividade. No setor do alumínio, destaca Alban, cerca de 60% de todo material consumido no país é reciclado.
O estudo aponta ainda os gargalos, na opinião dos executivos, para que se chegue mais rápido aos objetivos de redução das emissões de gases de efeito estufa firmados pelo Brasil no Acordo de Paris. Entre os entrevistados, 62% disseram que o acesso ao financiamento para ações em sustentabilidade é difícil ou muito difícil. Para 22% dos participantes da pesquisa, essa é uma barreira à descarbonização do setor.
Os entrevistados colocaram no topo dos entraves ao avanço de uma agenda verde no setor a falta de incentivo do governo (51%) e a falta de cultura de sustentabilidade no mercado consumidor (39%).
Na pesquisa, que foi feita pelo Instituto de Pesquisa em Reputação e Imagem, da FSB Holding, 67% demonstraram interesse em crédito para financiar iniciativas sustentáveis, assim como para disseminar tecnologias verdes. No entanto, dos 16% buscaram algum incentivo de crédito público para projetos sustentáveis, apenas 6% obtiveram êxito. Já quando o crédito é privado a taxa de sucesso foi maior, dos 24% buscaram o financiamento, 15% conseguiram.
À pesquisa, 75% responderam ter interesse em linhas de crédito para novas tecnologias verdes. Outros 66% disseram precisar de novas tecnologias de baixo carbono e 59% têm interesse em modernização de maquinário para atingir metas de descarbonização. Quase 90%, no entanto, consideram a atuação do poder público insuficiente.
O setor avalia que falta incentivo tributário e chama atenção ainda para a necessidade de criação de um mercado regulado de carbono. A lei em discussão na Câmara dos Deputados para regulamentação desse mercado, é considerada importante ou muito importante por 78% dos executivos.
- É preciso incentivar a transição para uma economia de baixo carbono. Isso pode acontecer por investimentos e financiamentos a uma taxa atrativa para viabilizar a modernização dos parques industriais - diz Bomtempo.
O gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI chama atenção ainda para o papel do consumidor como um indutor de práticas sustentáveis na cadeia de produção:
- Com certeza o consumidor é quem vai fazer a tomada de decisão final. No momento em que ele passa a dar um peso cada vez maior à agenda de sustentabilidade para a sua tomada de decisão, com certeza, isso é importante. As indústrias buscam capitalizar esse movimento e oferecer produtos mais aderentes a esse novo perfil. Mas não é só o consumidor, há outras variáveis que vão contemplar a necessidade de fazer uma transição para uma economia.

Fonte: O Globo

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