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Bateria de... algodão? As alternativas ao lítio e outros minérios desenvolvidas por cientistas e empresas

28/11/2023

Puf! A luz acabou.
Mas, em uma rua na índia, uma máquina de autoatendimento bancário segue funcionando alegremente, distribuindo dinheiro para as pessoas. Em parte, graças ao algodão queimado.
Essa máquina tem uma bateria de reserva no seu interior, que contém carbono proveniente de algodão cuidadosamente queimado.
"O processo específico é um segredo, para dizer a verdade", afirma Inketsu Okina, chefe de inteligência da empresa japonesa PJP Eye, fabricante da bateria.
E ele não está brincando. "A temperatura é um segredo e a atmosfera é um segredo. A pressão é um segredo", prossegue ele, cauteloso.
Okina conta que é preciso atingir alta temperatura —mais de 3.000°C. E que 1 kg de algodão gera 200 g de carbono. Como cada célula de bateria precisa de apenas 2 g, o lote de algodão comprado pela empresa em 2017 segue sendo usado até hoje, segundo ele.
As baterias são formadas por três componentes básicos: dois eletrodos e um eletrólito entre eles.
Um dos eletrodos passa a ter carga positiva e é conhecido como cátodo, enquanto o eletrodo com carga negativa é chamado de ânodo.
Durante o uso, partículas carregadas chamadas íons fluem do ânodo para o cátodo através do eletrólito. Este fluxo permite o movimento dos elétrons ao longo dos fios do circuito elétrico conectado à bateria.
Nas baterias desenvolvidas pela PJP Eye, em conjunto com pesquisadores da Universidade Kyushu de Fukuoka, no Japão, o carbono é empregado para formar o ânodo —um dos dois eletrodos entre os quais fluem os íons, que são as partículas carregadas das baterias.
Os íons se movem em uma direção quando a bateria está sendo carregada e na direção oposta ao fornecer energia para um aparelho.
A maioria das baterias usa grafite como ânodo, mas a PJP Eye defende que sua abordagem é mais sustentável, já que ela pode produzir ânodos utilizando resíduos de algodão da indústria têxtil.
Com a imensa demanda por baterias prevista para os próximos anos, impulsionada pelo aumento dos veículos elétricos e pelos grandes sistemas de armazenamento de energia, pesquisadores e empresas vêm desenvolvendo freneticamente possíveis alternativas para as baterias de grafite e íons de lítio, tão comuns hoje em dia.
Como a PJP Eye, eles defendem que poderíamos utilizar materiais muito mais sustentáveis e facilmente disponíveis para a produção de baterias.
A mineração de lítio pode causar impactos consideráveis ao meio ambiente. A extração do metal exige grandes quantidades de água e energia e o processo pode deixar imensas cicatrizes no terreno.
O lítio recuperado costuma ser transportado do local de mineração por longas distâncias, até ser refinado em países como a China. E o grafite também é extraído da natureza ou produzido a partir de combustíveis fósseis, ambos com impactos ambientais negativos.
"É muito fácil imaginar qual pode chegar a ser o tamanho da pegada de carbono à medida que o material das baterias passa pela extração e transporte", segundo Sam Wilkinson, analista da empresa fornecedora de informações e análise de mercados S&P Global Commodity Insights.
Outro exemplo é o cobalto, empregado em muitas baterias de íons de lítio. O metal é extraído predominantemente na República Democrática do Congo —e existem relatos de perigosas condições de trabalho naquele país.
Da água do mar até os biorresíduos e pigmentos naturais, existe uma longa lista de possíveis alternativas naturais, disponíveis muito mais facilmente. O difícil é comprovar que qualquer uma delas pode competir de forma realista com as baterias existentes no mercado, aparentemente tão indispensáveis no nosso mundo repleto de aparelhos.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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