
30/11/2023
O Cerrado perdeu 11.011 km² de vegetação nativa entre agosto de 2022 a julho de 2023. O número representa um aumento de 3% em relação ao apurado no período anterior (10.688 km²).
O balanço é do projeto Prodes Cerrado, mantido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), órgão do Ministério de Ciência Tecnologia e Inovações (MCTI).
De acordo com o levantamento, o estado do Maranhão foi o que teve a maior área de vegetação nativa suprimida (2.928 km²), seguido pelo Tocantins (2.233 km²), Bahia (1.971 km²) e Piauí (1.127 km²).
A manutenção do Cerrado é condição para a distribuição da água pelo Brasil. O bioma, por ter o solo mais alto, absorve a umidade e leva água para 8 das 12 bacias importantes para o consumo de água e geração de energia no país.
A ONG WWF-Brasil alerta que o número do desmatamento revelado pelo Prodes é alarmante, pois a situação do bioma é crítica, já que ele é fortemente pressionado pelas atividades agrícolas e passa por um processo contínuo de destruição.
“Enquanto presenciamos ações efetivas e queda de desmatamento na Amazônia, os dados para o Cerrado estão na contramão. Considerado a savana com maior biodiversidade do planeta, ele é também um dos biomas mais ameaçados, pois conta com uma proteção ambiental mais frágil e, consequentemente, com sucessivos recordes de desmatamento", comentou Edegar de Oliveira, diretor de Conservação e Restauração do WWF-Brasil.
Em resposta a esses números, o governo federal também lançou nesta terça (28) o novo PPCerrado (Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento no Cerrado), um plano de ação para conter o desmatamento no bioma.
"Tivemos um período de abandono dessas políticas, inclusive revogando o PPCerrado em 2019, e agora uma retomada. Uma das coisas muito boas é a verdade e a ciência, mas também a determinação do governo de enfrentar o problema. Temos 19 ministérios trabalhando, uma alta tarefa que envolve os mais altos postos do governo", afirmou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
Especialistas, porém, criticam que o projeto precisa ter o "senso de urgência adequado ao momento", com foco imediato nas medidas de comando e controle.
“Os dados de desmatamento do Cerrado apontam uma situação muito crítica que se agravou ao longo de 2023. Estamos diante de um cenário que requer atenção a um bioma que é estratégico para nossa segurança hídrica e energética, já que é o berço de oito das 12 principais bacias hidrográficas do país, mas já observa redução de 15% da vazão de seus rios", destaca Ana Carolina Crisostomo, especialista em Conservação do WWF-Brasil e líder da estratégia de Conversão Zero.
De acordo com o último relatório do Prodes para a Amazônia, divulgado no começo do mês, a área desmatada no bioma foi de 9.001 km² entre agosto de 2022 e julho de 2023 (o equivalente ao tamanho da República de Chipre).
O índice representa uma queda de 22% do total da área desmatada entre a última temperada (agosto de 2021 - julho de 2022). Na edição anterior, o número foi de 11.594 km².
Fonte: g1
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