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Destruição do cerrado cresce, mas desacelera, e governo lança plano para zerar desmatamento

30/11/2023

O desmatamento no cerrado brasileiro cresceu 3% de agosto de 2022 a julho de 2023, comparado ao período anterior, segundo o sistema Prodes. No total, a destruição do bioma ficou em 11.011,7 km².
O aumento, no entanto, ocorreu em meio a uma desaceleração no ritmo de desmate com relação aos valores registrados nos últimos anos. Em 2020, 2021 e 2022 o crescimento foi de, respectivamente, 25%, 8% e 25% na comparação com períodos anteriores.
Segundo o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, esses 3% representam estabilidade, levando em consideração os parâmetros do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial). Capobianco afirmou esperar que, daqui para frente, a curva seja revertida para decrescente.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (28), quando o governo federal também lançou o novo PPCerrado (Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento no Cerrado), com a promessa de alcançar a meta do desmatamento zero até 2030, ano-chave para frear o aquecimento do planeta, conforme o Acordo de Paris.
O anúncio acontece às vésperas da COP28, a conferência do clima da ONU (Organização das Nações Unidas), que será realizada em Dubai (Emirados Árabes) a partir desta quinta (30) e contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Marina Silva.
Neste terceiro governo do petista, a derrubada de floresta no Brasil vem seguindo tendência de queda na amazônia, enquanto cresce no cerrado. A área desmatada no cerrado neste último ciclo medido pelo Prodes, que agrega o último semestre da gestão de Jair Bolsonaro (PL) e o primeiro de Lula, é a maior desde 2015 (quando foi de 11.129,06 km²).
A ministra Marina Silva afirmou que a divulgação dos dados representa uma mudança de política em relação ao governo Bolsonaro. Ela lembrou que na última COP, que aconteceu no Egito, o governo federal decidiu não divulgar os dados de desmate antes da conferência, mesmo já os tendo prontos, como revelou a Folha à época.
"Nós fizemos questão […] de colocar o dado antes da viagem, exatamente para mostrar que não é com negacionismo que se resolve o problema, é fazendo diagnóstico e apresentando soluções, como lançando já no primeiro ano [de governo] o PPCerrado, feito em tempo recorde", afirmou.
Os dados do Prodes evidenciam o contraste entre o desmate da amazônia e do cerrado, que é o segundo maior bioma brasileiro e corresponde a quase um quarto de todo o território nacional (23,3%).
Pelo Código Florestal, no cerrado é possível desmatar até 80% das propriedades privadas (ou até 65% em alguns locais, quando estão em áreas de transição para a floresta amazônica). O limite é de 20% na amazônia.
Na floresta amazônica, pela primeira vez desde 2018, a destruição anual ficou abaixo de 10 mil km² —de agosto de 2022 a julho de 2023, foram perdidos 9.001 km², uma redução de 22,3% na comparação com o período anterior.
Os dados do Deter —sistema do Inpe que divulga alertas de desmatamento com maior periodicidade, semanalmente, mas com menor precisão— também ilustram essa dinâmica. Enquanto a amazônia vem registrando quedas consecutivas, o cerrado já bateu uma série de recordes mensais de desmatamento.
"Os dados de desmatamento do cerrado apontam uma situação muito crítica que se agravou ao longo de 2023. Estamos diante de um cenário que requer atenção a um bioma que é estratégico para nossa segurança hídrica e energética, já que é o berço de 8 das 12 principais bacias hidrográficas do país, mas já observa redução de 15% da vazão de seus rios", avalia Ana Carolina Crisostomo, especialista em conservação da ONG WWF no Brasil.
Os novos dados evidenciam que 75% do desmatamento no cerrado ocorreram na região conhecida como Matopiba, fronteira agrícola composta por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
"Os governos estaduais, em especial os do Matopiba, precisam se responsabilizar e tomar providências sob o que lhe é de responsabilidade", diz Yuri Salmona, diretor-executivo do Instituto Cerrados.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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