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Volta de aves migratórias alerta autoridades para gripe aviária; veja rotas e espécies que vêm ao Brasil

05/12/2023

Cinco bilhões de aves migram, anualmente, em todo o mundo. Elas desempenham um papel importante nos ecossistemas, conectando diferentes regiões e mantendo a sobrevivência de outras gerações.
Mas, durante essas longas jornadas, parte desses pássaros vira hospedeira e distribuidora de doenças como a do vírus H5N1, causador da gripe aviária.
Neste ano, o Brasil teve casos da doença pela primeira vez. Dos quase 150 focos até agora, a grande maioria foi em aves migratórias. O pico aconteceu em maio, no fim do ciclo migratório anterior.
As aves se movimentam principalmente entre setembro e dezembro, com a chegada do outono no Hemisfério Norte e da primavera ao Hemisfério Sul. Ou seja: o Brasil está voltando agora a receber essas "visitas". E, já em setembro, registrou o segundo maior número de focos do ano.
O esforço continua sendo para que essa contaminação, que aconteceu principalmente no litoral, não alcance as granjas, afetando o comércio de frango e ovos.
Até a última sexta-feira (2), o Brasil acumulava 148 focos de gripe aviária em 2023 — o primeiro ano com casos de H5N1 no país. O vírus foi identificado pela primeira vez na China, em 1996.
A maioria dos focos no Brasil foi detectada em aves migratórias, a partir de maio. Os casos caíram nos meses seguintes, mas voltaram a subir em setembro.
As espécies que mais migram para o país são maçaricos, batuíras e vira-pedras, mas os casos de gripe aviária no Brasil se concentram no trinta-réis de bando e no trinta-réis real.
O país não registrou a doença em granjas voltadas para o comércio em larga escala. Caso a gripe aviária se disseminasse para esses estabelecimentos, os animais precisariam ser sacrificados, o que diminuiria a oferta de carne de frango e ovos.
Além de isso ser um problema para o mercado interno, poderia afetar as exportações: o país é o maior exportador de carne de frango do mundo e o segundo maior produtor global, atrás dos EUA.
Até agora, os três focos envolvendo aves de criação foram em pequenas propriedades, também no litoral. E nunca houve registro da contaminação em pessoas no país.
Ainda não há imunizantes para humanos contra a gripe aviária. Porém, desde janeiro, o Instituto Butantan tem trabalhado no desenvolvimento de uma vacina. Os testes estão sendo realizados com cepas vacinais que foram cedidas pela OMS.
O H5N1 chegou a lugares que, antes, estavam protegidos: desde o final de 2022, o vírus começou a se espalhar pela América, para países como Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Honduras, Panamá, Peru, Venezuela e Chile.
Em março de 2023, a Argentina e o Uruguai também detectaram seus primeiros casos, enquanto o Paraguai e o Brasil começaram a ter ocorrências em maio, já quase no final do ciclo migratório, que recomeçou agora em setembro.
Em maio houve o pico de registros da gripe no Brasil, com 44 focos. Em setembro, o segundo maior número: 30.
Os focos da doença em aves migratórias foram encontrados principalmente no litoral, que costuma ser o ponto de parada delas, longe dos centros de produção de frango e ovos.
Os pássaros vêm aos países do sul em busca de condições climáticas favoráveis para reprodução, troca de plumagem e alimentação. Quando aglomerados, o risco de bandos entrarem em contato com secreções e fluidos de animais infectados, sejam eles vivos ou mortos, é grande.
Até o momento, já houve registros de contaminação de mamíferos no litoral do Rio Grande do Sul, em leões-marinhos e lobos-marinhos.
"Existem outras doenças que as aves podem disseminar como Febre do Nilo Ocidental (West nile virus), que também podem causar embargos", afirmou microbiologista e virologista da USP, Jansen de Araújo.
A Febre do Nilo é uma doença que atinge animais e humanos. Semelhante a dengue, ela também pode ser transmitida através da picada de mosquitos e provocar sequelas neurológicas nos infectados.
Apesar do risco, as aves migratórias desempenham um papel importante nos ecossistemas, conectando diferentes regiões do mundo e mantendo a sobrevivência de outras gerações.
"É um fenômeno que acontece, vai continuar acontecendo e que é muito importante para a manutenção da espécie. É importante para manter a biologia, a ecologia desses animais no ambiente", disse Jansen.

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