
12/12/2023
Em um ano, as chuvas diminuíram em 80% e a temperatura teve aumento de 30% na Amazônia. Enquanto isso, desmatamento, queimadas florestais e garimpos vêm avançando dentro ou próximo a territórios indígenas desde 2008 na região.
O cenário foi apresentado em relatório lançado, neste sábado (9), por lideranças indígenas durante a Conferências das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP), em Dubai.
De acordo com o 1º Boletim de Emergência Climática da Amazônia, divulgado pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), as mudanças climáticas na região "alteram de forma extrema a vida e condições básicas dos povos habitantes da floresta que dependem dos rios abastecidos pela chuva".
O estado com os piores índices é o Pará,segundo o relatório, concentrando os mais altos índices de destruição de florestas e as três Terras Indígenas mais ameaçadas: Apyterewa, Ituna/Itatá e Cachoeira Seca. O estado vai sediar a COP 30, em 2025.
O documento foi lançado em uma programação com lideranças indígenas para tratar de projetos de crédito de carbono que miram terras de florestas, além de análises sobre a seca, variações de temperaturas e monitoramentos feitos pelos indígenas sobre o desmatamento, queimadas e garimpos em áreas de proteção na Amazônia.
O estado que mais sofreu com a seca, de acordo com o boletim, foi o estado do Amazonas. Em outubro de 2022, foram entre 100 mm e 350 mm de chuva; caindo para 2,1mm a 50mm em outubro de 2023. Já os outros estados seguiram a tendência de queda da precipitação este ano, variando entre 2,1 mm a 50 mm no Pará, Acre, Amapá, Tocantins e Maranhão.
"Verifica-se uma queda de até 80% nas chuvas comparadas com outubro de 2022, onde a precipitação variava entre 150 mm a 300 mm na maioria das regiões", aponta o documento.
Aliado à diminuição das chuvas, a temperatura também aumentou, segundo os dados. Em outubro de 2022, a temperatura máxima registrada para quase toda a Amazônia brasileira variava entre 28ºC e 30°C, com exceção do Maranhão que registrava a partir de 36°C em diante.
Já um ano depois, no mesmo período, houve expansão das regiões com temperaturas mais elevadas, variando entre 30°C e 36°C, destacando as regiões central e sul do Amazonas, oeste e sudoeste do Pará, e também os estados do Mato Grosso, Tocantins e Maranhão como um todo. A estimativa é que o aumento da temperatura máxima foi de 30% em toda a região.
Ainda segundo o boletim, o Pará é o estado que mais perdeu florestas no acumulado desde 2008. Foram 49.561,16 quilômetros quadrados de área derrubada - equivalente a 6 milhões de campos futebol, área maior que todo o estado do Espírito Santo.
O relatório indica que "em relação ao fenômeno de derrubadas como um todo, observa-se que há um projeto de consolidação do arco de desmatamento no Brasil, onde estados que se destacam pela dimensão de destruição da Amazônia e do Cerrado como Pará, Mato Grosso, Amazonas, Rondônia e Maranhão, indicam maior vulnerabilidade frente aos fenômenos de desmatamento que se estabiliza na região central, sul, leste e nordeste da Amazônia Brasileira".
Ainda de acordo com o boletim, terras indígenas destes estados, por estarem no eixo do desmatamento, "estão mais suscetíveis às ameaças e pressões nos territórios relacionadas às práticas de desmate". As três mais vulneráveis são no estado do Pará.
Sobre as terras indígenas mais vulneráveis, que estão no Pará, Vanessa Apurinã, gerente de monitoramento territorial indígena da Coiab, atribui altos índices à concentração de empreendimentos próximos às áreas de proteção.
"Na região de Altamira, no Pará, estão os três territórios mais desmatados, ali tem povos indígenas isolados ou de recente contato, como em Apyterewa, Ituna/Itatá e Cachoeira, que são as mais destruídas pelo avanço principalmente do garimpo, deixando-os cada vez mais vulneráveis".
"O que nós, parentes indígenas, estamos pautando na COP é sobre a questão de um modelo de desenvolvimento que, para nós, é uma política de destruição na Amazônia, e um cenário em que o estado do Pará lidera esse ranking. Essa política é marcada pela multas ambientais, que não são aplicadas e não inibem o desmatamento, nem os garimpos", ela afirma.
"Estamos passando pela situação de desigualdade climática, onde quem tem seu ar condicionado não abre mão dele no meio desse calor. Enquanto isso quem está lá na floresta, como os povos tradicionais, são aqueles que mais sofrem".
Fonte: g1
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