
21/12/2023
Apesar da percepção de que muitas pessoas não levam as mudanças climáticas a sério a ponto de mudarem algo no seu cotidiano, o think tank alemão NewClimate Institute assegura que houve, sim, muitas mudanças de atitude na última década.
Para os autores de um recente estudo sobre progressos sociais e tecnológicos na implementação do Acordo Climático de Paris de 2015, algumas tendências dão confiança de que o aquecimento global ainda pode ser limitado a 1,5ºC.
Antes do Acordo de Paris, a consciência dos perigos do aquecimento global não era tão generalizada, diz o relatório. Desde então o tema se tornou popular e é debatido em todos os setores da sociedade. Os meios de comunicação informam mais sobre as questões climáticas, apesar de também haver cada vez mais notícias falsas, observam os autores.
Uma consequência dessa mudança de consciência é que há cada vez mais protestos climáticos. Especialmente os jovens reunidos em movimentos ativistas, como Fridays for Future, Extinction Rebellion, Just Stop Oil e Letzte Generation, estão apelando para que haja ações rápidas. Esses apelos acabam pressionando os políticos a agir.
E a isso somam-se ainda os processos judiciais contra Estados e empresas, que são cada vez mais numerosos. Os autores dos processos pressionam pelo cumprimento de leis nacionais de proteção climática e ambiental e obtiveram ganho de causa em inúmeros casos. Em 2021, como resultado de um processo climático, a corte suprema da Alemanha exigiu do governo federal que reduzisse mais rapidamente as emissões até 2030.
Em paralelo, as pesquisas científicas de atribuição climática ajudam a entender até que ponto eventos climáticos extremos —e os prejuízos por eles causados— podem ser atribuídos às mudanças climáticas.
Antes do Acordo de Paris, o foco principal estava na redução de emissões. Agora formou-se um consenso generalizado de que "as emissões, em todos os países, devem cair para zero", de acordo com a análise do NewClimate Institute. A meta de uma economia de impacto neutro no clima é a nova norma em países, regiões e cidades, inclusive no Sul Global —um grande passo à frente.
Essa meta de zerar emissões mostra que houve uma "mudança significativa". E as metas climáticas nacionais são hoje muito mais ambiciosas e podem ajudar a reduzir a velocidade do aquecimento global no médio prazo.
No entanto, essas metas "ainda não são apoiadas por medidas suficientes", sublinham os autores. Mas, no geral, eles veem o mundo num rumo muito melhor do que antes do Acordo de Paris.
A reportagem na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
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