
02/01/2024
Em um aquário, o peixe-dourado —uma espécie de carpa nativa do leste da Ásia, criada para deleite estético e, acredita-se, para ter boa sorte— é pouco mais do que decoração de casa. Geralmente com apenas alguns centímetros de comprimento, é um dos animais de estimação mais fáceis de cuidar.
Mas, quando soltos na natureza, os aparentemente humildes peixes-dourados, libertos das barreiras de vidro e não mais limitados a refeições modestas, podem tomar proporções monstruosas. Há também o risco de matarem a vida marinha nativa e ajudar a destruir ecossistemas frágeis e economicamente valiosos.
"Eles podem comer qualquer coisa e tudo", disse Christine Boston, bióloga de pesquisa aquática do Fisheries and Oceans Canada, órgão federal responsável pela gestão de recursos pesqueiros.
Nos últimos anos, Boston e seus colegas têm rastreado peixes-dourados invasores no Porto de Hamilton, que fica na ponta oeste do lago Ontário, que fica 56 km a sudoeste de Toronto. A baía foi devastada pelo desenvolvimento industrial e urbano, bem como por espécies invasoras, tornando-se uma das áreas mais degradadas ambientalmente dos Grandes Lagos.
O estudo, publicado em novembro passado no Journal of Great Lakes Research, pode ajudar a identificar populações de peixes-dourados para abate, segundo Boston, autora principal do trabalho. "Descobrimos onde eles estão antes de começarem a se reproduzir", disse ela. "Essa é uma boa oportunidade para se livrar deles."
As fêmeas de peixe-dourado, que crescem rapidamente, também podem se reproduzir várias vezes em uma temporada. "Elas têm os recursos", acrescentou Boston, "e podem aproveitá-los".
Os peixes-dourados foram avistados pela primeira vez no Porto de Hamilton na década de 1960, mas morreram em grande parte na década de 1970 devido à contaminação industrial. No início dos anos 2000, sua população parecia se recuperar. Os peixes-dourados toleram uma ampla faixa de temperatura da água, atingem a maturação sexual rapidamente e podem comer quase qualquer coisa, incluindo algas, plantas aquáticas, ovos e invertebrados, disse Boston.
Seus corpos em forma de bola de futebol podem atingir um tamanho que os torna uma refeição grande demais para predadores —até cerca de 40 cm de comprimento. "Um peixe teria que ter uma boca muito grande para comê-los", afirmou a pesquisadora.
Os peixes-dourados selvagens também são destrutivos, arrancando e consumindo plantas que são o lar de espécies nativas. Eles ajudam a gerar florações de algas nocivas ao consumir as algas e expelir nutrientes que promovem seu crescimento, disse Boston, criando condições intoleráveis para os peixes nativos.
Para rastrear os peixes-dourados, os pesquisadores capturaram e sedaram 19 dos adultos maiores e implantaram neles etiquetas do tamanho de pilhas AA. Os itens, que enviavam sinais para receptores acústicos ao redor da baía, forneceram aos pesquisadores um mapa das localizações dos animais.
Oito deles morreram. Os outros 11 levaram Boston e seus colegas a descobrir que os peixes tendiam a passar o inverno em águas profundas e se mudavam para habitats mais rasos na primavera, onde se preparavam para se reproduzir.
Algumas opções para remover os peixes-dourados, disse ela, incluem capturá-los com redes especializadas implantadas sob o gelo do inverno ou usar "pesca elétrica", que envolve atordoá-los com uma corrente elétrica e retirá-los da água. Ambas as técnicas, acrescentou a pesquisadora, evitariam matar os peixes nativos.
Termine de ler esta matéria clicando na Folha de S. Paulo
Com a chegada do inverno, jacarés mudam comportamento no Parque Chico Mendes
25/06/2026
Expedição encontra traços de cocaína, cafeína e agrotóxicos na nascente do Tietê
25/06/2026
Elefanta Baby é transferida para santuário em MT após ordem da Justiça
25/06/2026
O voo da virada: como o canário símbolo da Seleção superou a extinção
25/06/2026
Copa de 2026 pode ser a mais poluente da história, com 7,8 milhões de toneladas de CO₂
25/06/2026
Guterres propõe 7 passos para enfrentar as “duas crises” globais
25/06/2026
