
04/01/2024
Ser capaz de rastrear a cadeia produtiva do café é um dos maiores desafios do setor atualmente.
Recentemente a União Europeia aprovou uma lei que, entre outras coisas, proíbe a importação de certos produtos –incluindo o café– provenientes de áreas desmatadas. A norma, que começa a ser aplicada em janeiro de 2025, exige evidências de que de fato não houve desmatamento naquela propriedade nos últimos anos.
A aprovação da lei provocou uma correria dos exportadores por rastreabilidade, como mostrou o Café na Prensa.
A indústria doméstica, contudo, ainda carece de mecanismos sofisticados nessa seara. As principais fabricantes do Brasil ainda não possuem políticas tão rígidas de fiscalização da cadeia produtiva.
Responsável por marcas como Nescafé, Nespresso e Dolce Gusto, a Nestlé instituiu uma política de rastreabilidade há alguns anos e afirma que, hoje, 100% do café que adquire é rastreável.
Graças em grande parte a essa iniciativa, a empresa foi mencionada como uma das líderes em aspectos de ESG no estudo Coffee Brew Index, inclusive no quesito ambiental. Ao mesmo tempo, é a principal empresa no mercado de café em cápsula, que produz uma quantidade de lixo gigantesca.
Questionada sobre a aparente contradição, Taissara Martins, head de ESG para cafés e bebidas da Nestlé Brasil, afirma que as cápsulas incomodam o consumidor, por causa do lixo com o qual ele fica ao fim do preparo, mas que a embalagem responde por apenas 10% das emissões de carbono de todo o processo.
Na entrevista concedida ao Café na Prensa, Martins fala ainda sobre outros gargalos da rastreabilidade e como manter-se competitivo enquanto paga mais caro por uma matéria-prima sustentável, entre outros assuntos.
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