
04/01/2024
Um novo oceano está surgindo na África. Acreditava-se que ele seria fruto de um processo que levaria entre 5 e 10 milhões de anos para ocorrer. Mas novas descobertas científicas apontam que isso pode acontecer antes do previsto.
"Cortamos o tempo para algo como 1 milhão de anos, talvez até metade disso." — Cynthia Ebinger, geocientista à BBC Brasil
Pesquisadora da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, ela estuda o tema desde os anos 1980 e se tornou referência no assunto.
👉 Segundo o site Google Acadêmico, Ebinger escreveu, ao longo da carreira, artigos citados mais de 16 mil vezes por seus pares de profissão e publicadas em periódicos científicos do porte da revista inglesa Nature. Em 2023, assinou 17 textos, a maioria dos quais em torno de questões sobre o novo canal oceânico que está sendo aberto na região de Afar, nas fronteiras de três placas tectônicas, a Arábica, a Africana (também chamada de Núbia) e a Somaliana.
A geocientista está atenta ao assunto desde o fim dos anos 1980. Em 1998, publicou na Nature seu artigo de maior repercussão no meio científico, citado mais de 900 vezes por seus pares: Cenozoic magmatism throughout East Africa resulting from impact of a single plume ("Magmatismo do Cenozoico em toda a África Oriental resultante do impacto de um único ponto quente", em livre tradução para o português).
🌋 No estudo, analisou a ação de magma no planalto etíope com um modelo que pode ser expandido para a ação de vulcanismo por toda a África Oriental, o que ocorre há 45 milhões de anos.
Também identificou que "os maiores volumes de magma estão nos planaltos etíopes e na África Oriental, com mais de mil quilômetros de largura, atravessados pelo Mar Vermelho, o Golfo de Aden e sistemas de rifte da África Oriental".
"Há um pequeno vulcão no subsolo (dessa região da Etiópia) que está impedindo a passagem de um largo corpo de água salgada", diz Ebinger.
🌎 As três placas tectônicas — a Somaliana, à leste; a Africana (ou Núbia), que é mais extensa; e a Arábica, a nordeste — pressionam uma placa menor, a Victoriana. Conforme se expande uma fenda nesse encontro de placas, parte da placa Somaliana pode se desprender em direção ao Oceano Índico, abrindo caminho para o novo oceano.
"Na verdade, não se tratará exatamente de um novo oceano, apesar de comumente chamarmos assim. Visualize como uma expansão do Mar Vermelho." — Cynthia Ebinger, geocientista
As três placas tectônicas se movem em ritmos distintos.
* A Arábica, distancia-se 2,5 centímetros por ano da África.
* As outras duas, meio centímetro, cada uma.
* Esse lento movimento dividirá o continente no meio, cortado por uma imensa massa de água salgada vinda do Mar Vermelho e do Golfo de Aden.
➡️ A principal evidência para a teoria vem de um evento colossal ocorrido em 2005. Em setembro daquele ano, 420 terremotos sacudiram o solo de uma área de deserto na Etiópia. A atividade vulcânica lançou cinzas no ar.
No processo, foi aberta uma fenda de 60 quilômetros de extensão na região de Afar, em uma das áreas mais inóspitas do planeta.
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