
09/01/2024
O Parque Nacional da Tijuca inicia 2024 com mais vida em suas florestas. No fim da manhã desta terça-feira, após oito anos, a ONG Refauna reintroduziu mais sete macacos-bugios (Alouatta guariba) no parque nacional mais visitado do Brasil. Juntos, esses animais formam a nova família que vai compartilhar a área de Mata Atlântica incrustada no meio da cidade com outro grupo de bugios, no local desde 2015. Há oito anos, a reintrodução de um primeiro casal pelo Refauna marcou o término da extinção local desta espécie, que não era vista nas florestas da Unidade de Conservação há mais de 200 anos. Graças a uma parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, que adaptou a vacina da febre-amarela de humanos para a espécie de primatas, o grupo está protegido contra a doença.
Atualmente, o Parque tem oito macacos-bugios, que são o casal introduzido em 2015 e seus seis filhotes - o que estabeleceu uma taxa de natalidade de um filhote por ano desde o início da refaunação, superando o índice de outros lugares naturais.
Já os sete novos integrantes, que ganharam a vida livre, são compostos por um macho e seis fêmeas. Dessa nova turma, os indivíduos mais velhos têm entre 13 e 15 anos e, os mais novos, entre 8 meses e 3 anos. Eles chegam com o objetivo de ajudar a consolidar a presença dos bugios em terras cariocas graças à interação que devem estabelecer com o grupo já existente, podendo resultar em aumento da população e da diversidade genética. Além disso, agora que estão soltos no Parque, eles vão colaborar com a dispersão de sementes de árvores que só eles conseguem interagir, ajudando a manter de pé a Mata Atlântica da Unidade de Conservação.
— Os animais que serão reintroduzidos agora são o primeiro grupo liberado depois da vacinação contra febre-amarela, cuja epidemia em 2017 afetou fortemente o número desses animais no Sudeste, levando à criação de um comitê de manejo integrado de bugios. Graças a uma parceria com a Fiocruz, foi adaptada a vacina da febre-amarela de humanos para os primatas, garantindo a proteção dos bugios que serão soltos no Parque — explica Marcelo Rheingantz, diretor-executivo do Refauna e biólogo da UFRJ.
Viviane Lasmar, chefe do Parque Nacional da Tijuca, destaca a importância do apoio ao projeto para devolver a vida a floresta.
— A reintrodução dessa nova família de bugios, depois de anos de trabalho, é mais uma ação que combate a síndrome da floresta vazia, um problema que precisa ser solucionado.
Neste sentido, aumentar a diversidade genética da população de bugios é um fator importante para combater esse problema, pois ajuda a garantir a consolidação da população desses animais, ressalta Silvia Bahadian Moreira, veterinária do INEA-RJ e do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro. Silvia, que fez o acompanhamento médico das espécies que ganharam a liberdade hoje, explica a importância da inserção de novos indivíduos.
— É preciso aumentar a variabilidade genética e esse novo grupo praticamente dobra o patrimônio genético dessa população, aumentando as chances deles se manterem e crescerem. Eles aumentam o valor da floresta em termos de biodiversidade, já que restabelecem processos ecológicos complexos que estavam perdidos — explica Silvia.
A reintrodução de hoje e que marca o começo de 2024 não aconteceria sem a união do Refauna com o Parque Nacional da Tijuca, o Centro de Primatologia do Rio de Janeiro do INEA (CPRJ-INEA), a Fiocruz, o Centro de Recuperação de Animais Selvagens da Universidade Estácio de Sá, o Comitê de Manejo Integrado de Alouatta, CPB-ICMBio, a UFRJ, a UFRRJ, o IFRJ-RJ, a Ecomimesis e a National Geographic Society.
Fonte: O Globo
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