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A polêmica decisão da Noruega, primeiro país a permitir mineração no fundo do mar

16/01/2024

A Noruega tornou-se o primeiro país do mundo a avançar com a controversa prática da mineração em águas profundas em escala comercial.
Um projeto de lei, aprovado na terça-feira (9), vai acelerar a busca por metais preciosos, muito procurados por projetos de tecnologia verde.
Mas cientistas ambientais alertam que esse tipo de mineração pode ser devastador para a vida marinha.
O plano diz respeito às águas norueguesas, mas um acordo sobre a mineração em águas internacionais também poderá ser fechado neste ano.
O governo norueguês afirma que está sendo cauteloso e só começará a emitir licenças quando forem realizados estudos ambientais adicionais.
O fundo do mar abriga rochas do tamanho de batatas chamadas nódulos e crostas, que contêm minerais como lítio, escândio e cobalto —essenciais para tecnologias limpas, como baterias.
A proposta da Noruega abrirá 280 mil km² das suas águas nacionais para que empresas se candidatem à exploração desses recursos —uma área maior do que o tamanho do Reino Unido.
Embora estes minerais estejam disponíveis em terra, eles estão concentrados em alguns países, aumentando o risco de desabastecimento.
Por exemplo, a República Democrática do Congo, que detém algumas das maiores reservas de cobalto, enfrenta conflitos em algumas partes do país.
Walter Sognnes, cofundador da mineradora norueguesa Loke Minerals, que planeja solicitar uma licença, reconhece que é preciso fazer mais para compreender as profundezas do oceano antes do início da mineração.
"Teremos um período relativamente longo de atividades de exploração e mapeamento para preencher a lacuna de conhecimento sobre o impacto ambiental [da mineração em águas profundas]", disse Sognnes à BBC.
Martin Webeler, ativista pela preservação dos oceanos e pesquisador da Fundação para a Justiça Ambiental, diz que o plano é "catastrófico" para o habitat oceânico.
"O governo norueguês sempre destacou que deseja implementar os mais elevados padrões ambientais", diz ele. "Isso é hipocrisia quando você ignora todos os conselhos científicos."
Webeler afirma que as empresas de mineração deveriam concentrar-se na prevenção de danos ambientais nas suas operações atuais, em vez de dar início a um setor totalmente novo.

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