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Fome, agressão e cárcere; entenda como era a vida de elefantas antes de irem para o único santuário da espécie na América Latina

16/01/2024

Localizado em Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, a Associação Santuário de Elefantes Brasil (SEB), é o único local apto da América Latina para receber elefantes em situação de risco. Atualmente, a área abriga seis elefantas: Maia, Rana, Lady, Mara, Bambi e Guillermina, e, embora cada uma tenha saído de um lugar diferente, há uma coisa em comum: todas foram resgatadas de maus-tratos após serem exploradas por mais de 60 anos por circos e zoológicos.
O biólogo do Santuário, Daniel Moura, contou ao g1 que todas as elefantas resgatadas possuem algum tipo de problema de saúde que compromete a integridade física e mental do animal devido aos longos anos de exploração.
“Esses problemas são comprometedores para a saúde dos elefantes em um contexto geral. São cerca de 60 anos de exploração, então eles acarretam uma série de problemas que a gente consegue monitorar, mas outros nós nem conseguimos acessar”, pontuou.
Segundo a SEB, o espaço exclusivo para a espécie existe há mais de 7 anos, tanto que Maia foi uma das primeiras moradoras ao chegar ao local, junto com Guida, que morreu em junho de 2019. Desde que foi inaugurada, a entidade só recebeu fêmeas, já que essas elefantas são mais fáceis de serem encontradas em cativeiro por serem menores e mais dóceis e por isso são mais exploradas, segundo o biólogo. Atualmente, o santuário abriga somente elefantes fêmeas da espécie asiática.
“Além de serem menores que os machos, as elefantas asiáticas, por exemplo, não tem marfim naturalmente, que é aquele ‘dentão’. No geral, os elefantes asiáticos são mais tranquilos que os africanos, então para explorar, sequestrar, abusar e colocar em circo era muito mais fácil pegar as fêmeas”, explicou.
Como as elefantas passaram muitos anos vivendo sob exploração, desenvolveram traumas psicológicos após serem obrigadas a realizar atividades voltadas para o entretenimento humano, como malabarismo e equilíbrio.
“O ato de acatar ordens, fazer truques e receber comandos é totalmente fruto de violência física e psicológica. Qualquer tipo de atividade que não seja natural do animal, ele faz porque está sendo violentado. A pessoa responsável pelos abusos sempre tem um gancho na mão ou algo que perfure e é essa reação que faz o animal obedecer. Eles associam o medo com a ordem”, disse.
Uma das elefantas que mais possui sequelas é a Lady. Ela saiu de um zoológico na Paraíba depois de ter sido apreendida em um circo, em 2013. O animal tem uma doença séria chamada osteomielite, que é uma infecção no osso que causa muitas dores e não tem cura.
“Essa infecção é uma das grandes causas de morte de elefantes em cativeiro no mundo. Por conta da doença, ela vai passar por tratamento pelo resto da vida. Devido à violência de anos, ela é uma elefanta muito assustada, por isso, ela é o nosso elefante que mais recebe cuidados”, ressaltou.
Segundo o biólogo, a Maia e a Guida, por exemplo, foram encontradas em um local mais degradante que o resto das elefantas, já que estavam acorrentadas em um local com exposição ao sol e chuva. Como o espaço também era muito pequeno, elas não tinham água adequada, e as fezes se misturavam ao pouco de alimentação que recebiam.
“É uma coisa revoltante. Todas foram maltratadas, mas a Maia e a Guida estavam em um local ligado ao circo, diferente das outras que recebiam o mínimo nos zoológicos. Foi uma exploração sem fim, por isso que o santuário não permite visitação, para que elas não sejam mais tratadas como mercadoria que é exposta em troca de dinheiro”, relatou.

Termine de ler esta reportagem clicando no g1

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