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EUA e China iniciam nova era climática após a saída de diplomatas veteranos

18/01/2024

Os dois maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo estão traçando um novo curso de cooperação após as saídas de John Kerry e Xie Zhenhua —dois titãs da diplomacia climática que pavimentaram o caminho para acordos históricos.
Representando os Estados Unidos e a China, os dois passaram anos em lados opostos da mesa de negociações, elaborando acordos globais para reduzir as emissões que aquecem o planeta. Sua relação pessoal próxima resistiu mesmo quando os laços entre as duas superpotências se deterioraram em questões que vão desde o comércio até Taiwan, que está prestes a se tornar uma fonte renovada de tensão após uma eleição que devolveu ao poder o partido pró-EUA.
O desafio agora é construir um sistema que possa continuar mesmo sem a conexão única de Xie e Kerry. Seus sucessores poderão se basear em um alicerce de boa vontade construído durante seus anos de liderança e já têm um mecanismo em vigor para manter as negociações em andamento.
Enquanto a China nomeou para o cargo o diplomata de carreira Liu Zhenmin, 68, um substituto para Kerry ainda não foi anunciado.
Os dois países concordaram em 2021 em estabelecer um grupo de trabalho e posteriormente o encarregaram de colaborar na transição energética, emissões de metano, desmatamento e economia circular, entre outras questões. Esse grupo, que teve uma reunião virtual na sexta-feira (12), tem como objetivo sustentar o progresso durante a mudança de enviados e potencialmente uma mudança de presidentes nos EUA também.
"Xie e Kerry sabiam que estavam de saída e queriam garantir que houvesse alguma estrutura [para que o trabalho pudesse continuar]", disse Jake Schmidt, diretor estratégico sênior de clima internacional da ong Natural Resources Defense Council. "Tê-la incorporada ao grupo de trabalho é uma maneira de fazer isso".
Kerry, um político e diplomata experiente, trouxe uma importância incomum para seu papel. Anteriormente, o cargo era ocupado por burocratas que são especialistas em diplomacia, mas não têm o mesmo perfil elevado. Biden pode voltar a essa rota discreta, embora isso possa exigir que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, trabalhe de forma mais agressiva e visível nas questões climáticas —um desafio dada a turbulência em curso no Oriente Médio e na Ucrânia.
Potenciais sucessores deste mesmo perfil incluem o ex-governador do estado de Washington Jay Inslee, cuja campanha para a Casa Branca em 2020 foi focada no clima, e John Podesta, um estrategista governamental experiente que agora está na Casa Branca supervisionando a implementação da lei climática de 2022, conhecida como Lei de Redução da Inflação.
O ano de 2024 será desafiador para quem assumir o cargo. As negociações da COP das Nações Unidas deste ano, o encontro anual mais importante no calendário da diplomacia climática, se concentrarão em quanto os países desenvolvidos devem contribuir financeiramente para ajudar as nações pobres a lidar com o aquecimento global.
Os EUA, que são os maiores responsáveis históricos pelas emissões na atmosfera hoje, estarão sob escrutínio especial. A China, atualmente o maior emissor do mundo, também está sob pressão para contribuir com fundos, apesar de seu status oficial como país em desenvolvimento.

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