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Como as mudanças climáticas podem provocar frio extremo nos EUA, que já deixou dezenas de mortos

23/01/2024

O frio extremo que já matou mais de 70 pessoas, afetou dezenas de milhares e causou danos em boa parte dos Estados Unidos está ligado ao desequilíbrio climático do planeta, dizem cientistas.
A Terra está mais quente do que nunca na História. O ano passado foi o mais quente desde que os registros começaram em 1850. E o calor em excesso na atmosfera causa desequilíbrio em todo o sistema climático.
Mesmo que as ondas de frio estejam se tornando menos frequentes, como mostram dados do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), também elas se mostram mais intensas. Pois, o aquecimento leva a extremos tanto de calor quanto de frio, explica o climatologista Mathew Barlow, da Universidade de Massachussets.
A massa gélida vinda do Ártico que despejou nevascas, chuva congelante e trouxe sensação -50 graus Celsius está ligada ao desequilíbrio em dois elementos fundamentais na regulação do clima no Hemisfério Norte: as correntes de jato e o vórtex polar.
É sabido que ondas de frio extremo ocorrem quando as correntes de jato polares avançam mais em direção ao sul da América do Norte e alcançam os EUA, baixando drasticamente a temperatura. O mesmo pode acontecer na Ásia e na Europa.
Porém, as correntes de jato são influenciadas pelo chamado vórtex polar estratosférico. O vórtex é um gigantesco cinturão de ventos que giram em alta velocidade, a grosso modo um colossal ciclone, que existe normalmente sobre o Polo Norte, bem alto, na estratosfera a mais de 20 quilômetros de altitude.
Ele gira tão depressa que mantém o ar mais frio do polo turbilhonado sobre o Ártico. Mas, quando alguma anomalia faz com que o vórtex perca força ou se distenda, a movimentação do ar pode influenciar as correntes de jato que passam abaixo. Com isso, o ar congelante escapa do vórtex e é levado além do Ártico, alcançando os EUA. Em janeiro, o vórtex foi tão alterado que praticamente se dividiu.
Uma anomalia que pode desequilibrar o vórtex é justamente o aquecimento do Ártico. Ele aqueceu quatro vezes mais depressa do que a média do planeta.
Os extremos de frio continuam a ser estudados e não há respostas definitivas. Um trabalho da cientista Jennifer Francis, do Woodwell Climate Research Center, nos EUA, propôs a hipótese pela primeira vez em 2012. Francis descobriu que à medida que o Ártico esquenta, a diferença entre o frio do Norte e o calor do Sul faz com que corrente de jato leve o ar gelado mais longe. Ela chamou o fenômeno de amplificação do Ártico.
— O rápido aquecimento do Ártico é um dos sinais mais claros das mudanças climáticas — afirmou Francis à AP.
Porém, são necessários mais estudos para comprovar a teoria e compreender melhor os efeitos da elevação da temperatura do Ártico e a origem de ondas extremas de frio.
Em fevereiro de 2021, como agora, uma onda polar que deixou o Texas congelado também foi associada ao alongamento do vórtex polar.

Fonte: O Globo

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