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Comunidades no País de Gales celebram certificado de “céu escuro”

23/01/2024

O excesso de iluminação nas áreas urbanas pode ser classificado como poluição luminosa e têm impactos na vida selvagem, interferindo no comportamento de mamíferos, insetos e aves noturnas. A saúde humana também é afetada já que este estímulo tem efeito na qualidade do sono. Fora isso, as lâmpadas consomem energia elétrica, gerando gastos e efeito nas mudanças climáticas. Para completar, muitas luzes ao nosso redor, atrapalham uma das visões mais bonitas que podemos ter: o céu estrelado.
Como forma de combater os problemas causados pela poluição luminosa, a DarkSky International trabalha para promover práticas de iluminação responsáveis, além de ajudar no desenvolvimento de pesquisas científicas e leis sobre o tema. Outra área de atuação, é o programa Dark Sky Places, ou Lugares de Céu Escuro em português.
Cidades, bairros ou comunidades podem receber certificados quando tem práticas que garantem um céu livre de poluição luminosa. Recentemente, as comunidades da cidade de Presteigne, e da vila de Norton, no País de Gales, receberam seus certificados de “Comunidade de Céu Escuro”, se tornando as primeiras no país a terem este reconhecimento.
Uma das medidas para isso foi a decisão de apagar ou diminuir a intensidade das luzes mais cedo. “O trabalho de comprovar os benefícios de se ter um céu escuro começou há 6 anos”, disse Leigh-Harling Bowen, líder da Comunidade Presteigne & Norton Dark Skies, “Este trabalho inclui um investimento na utilização de iluminação pública eficiente e de baixo consumo de energia , com ‘céus escuros’, que reduziram o nosso impacto no ambiente. Esta mudança resultou numa redução das emissões de gases com efeito de estufa, juntamente com um efeito benéfico sobre a vida selvagem”.
A cidade e a vila ficam em Powys, o maior condado do País de Gales, e têm uma população de cerca de 3 mil pessoas. A área certificada como como comunidade de céu escuro cobre aproximadamente 24 quilômetros quadrados. Com as práticas responsáveis adotadas no local, o projeto Dark Sky reduziu as emissões anuais de carbono da área em quase cinco toneladas.
“A abordagem adotada para modernizar a iluminação usando tecnologia adaptativa é única e servirá como um excelente exemplo de como é possível usar a tecnologia para melhorar a segurança e a eficiência energética. Este trabalho sinaliza uma mudança importante no design de iluminação em nível comunitário, mostrando que ser favorável ao céu escuro não significa apagar as luzes”, disse Amber Harrison, gerente de programa do Dark Sky Places.
As 380 colunas de iluminação da área foram reformadas com luzes LED de 2.200K. Depois da meia-noite, 40% foram programados para desligar, e o restante foi configurado para mudar para metade da intensidade. Isto não só reduz o brilho das luzes, mas também aumenta a sua longevidade, ao mesmo tempo que reduz o consumo de energia.
“Estamos garantindo que as luzes não afetem negativamente as rotas dos morcegos ou as áreas de alimentação das lontras e usamos especificamente uma temperatura de cor de 2.200K para nossas lanternas, para que sejam ecológicas e compatíveis com o céu escuro”, disse Jackie Charlton, membro do gabinete do Conselho de Powys.
Com o sucesso da iniciativa nesta primeira comunidade, autoridades estão estudando a viabilidade de ações semelhantes em todo o País de Gales.
“A redução da poluição luminosa também nos permitiu ver claramente a nosso céu estrelado, um legado que os nossos filhos e netos continuarão a desfrutar”, completou disse Leigh-Harling Bowen.

Fonte: CicloVivo

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