
25/01/2024
A maior aeronave do mundo está prestes a começar a circular no céu californiano: chama-se Pathfinder 1, mede 124 metros de comprimento, quase 20 metros de largura e é movida a gás hélio. Suas dimensões fazem dele um registro histórico, é três vezes maior que um Boeing 737, quase duas vezes mais longo que um Airbus A380, e consegue ser maior que seu principal concorrente, o Airlander 10, que tem 92 metros de comprimento, cujo lançamento comercial está previsto para 2026 em voos de curto alcance.
As alterações climáticas e a evolução tecnológica são os dois conceitos que explicam a criação deste projeto, que já é investigado há mais de 10 anos, embora grande parte do seu desenvolvimento tenha permanecido discreto.
A empresa responsável é a LTA Research (Lighter Than Air, em inglês), de Sergey Brin, cofundador do Google e tem como prioridade criar uma nova geração de aeróstatos gigantes com o objetivo de fornecer ajuda humanitária. A ideia é conseguir transportar alimentos e suprimentos aos lugares mais remotos do mundo mais rapidamente do que os navios e de uma forma mais sustentável do que os aviões.
“Com essas aeronaves de próxima geração queremos melhorar a prestação de ajuda humanitária e reduzir as emissões de carbono, ao mesmo tempo que proporcionamos oportunidades econômicas e novos empregos”, afirmou a empresa.
Elementos como células de combustível Kevlar, fibra de carbono, náilon e hidrogênio foram incluídos na construção do Pathfinder 1, tecnologias completamente inimagináveis para engenheiros de dirigíveis há um século, mas acessíveis aos desenvolvedores hoje.
A estrutura da aeronave é rígida e composta por 10.000 tubos reforçados com fibra de carbono e 3.000 juntas de titânio, que formam um esqueleto protetor ao redor das células de gás. Possui ainda 13 células gigantes de náilon de alta resistência (para evitar rasgos), que contêm hélio – um gás nobre e não inflamável, ao contrário do hidrogênio -, e um sistema de sensor laser para monitorar continuamente a rota e detectar qualquer tipo de perda nas células de hélio.
A capa externa, por sua vez, é de couro sintético Tedlar leve, não inflamável e resistente aos raios UV, além de bloquear a luz visível.
No seu interior possui quatro lemes e 12 motores elétricos que lhe permitem decolar e pousar verticalmente (eVTOL), podendo impulsioná-lo a 65 nós (mais de 120 quilômetros por hora). Possui ainda 24 baterias, dois geradores a diesel de 150 kv e uma gôndola para 14 passageiros.
Entre suas capacidades de navegação aérea, o Pathfinder 1 pode suportar ventos de até 128 km/h e transportar até 200 toneladas de carga, quase dez vezes a quantidade que um Boeing 737 pode transportar; e percorrer uma distância máxima de 4.500 quilômetros.
Os benefícios somados ao fato de não necessitar de pista de pouso ou muita infraestrutura para manobrar (devido à decolagem e pouso vertical) tornam promissor seu papel no transporte de suprimentos. A LTA Research enfatiza a utilidade potencial do Pathfinder, por exemplo, no caso de um desastre natural.
“Se as pistas, estradas e portos forem danificados ou destruídos, os nossos aeróstatos ainda poderão fornecer o que as comunidades necessitam. Se as torres de telefonia celular estiverem fora de serviço, os aeróstatos poderão permanecer no ar e fornecer serviço”, afirmou a empresa norte-americana.
Talvez o ponto mais inovador do projeto LTA Research seja que ele foi oficialmente autorizado pelo governo, por meio de um certificado especial de aeronavegabilidade emitido pela Federal Aviation Administration (FFA).
Esta documentação permite que o dirigível comece os testes de voo em dois locais: Moffett Field, um aeroporto civil-militar da NASA que atualmente é administrado pelo Google; e dentro dos limites do espaço aéreo do aeroporto vizinho de Palo Alto, a uma altitude de até 460 metros .
O início dos testes para testar a viabilidade do navio está previsto para antes do final de 2023. Numa fase inicial, serão 50 voos de teste. Segundo a Bloomberg, mais de US$ 250 milhões foram investidos no desenvolvimento do Pathfinder 1.
A LTA Research está convencida de que o Pathfinder 1 é apenas o começo de uma nova e mais poderosa geração de navios que podem complementar, expandir e acelerar a resposta humanitária a todos os tipos de desastres para “salvar mais vidas”.
Fonte: O Globo
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