
25/01/2024
Um estudo aponta que a Amazônia recebeu, em sete anos, apenas 10% de todo o orçamento federal para apoiar projetos de pesquisa sobre biodiversidade. O levantamento mostra que a região ainda recebe poucos investimentos em pesquisa em comparação a outras regiões do Brasil e que a desproporção ocorre na região mais biodiversa do país, abrigando a maior floresta tropical do planeta.
Os dados foram divulgados pelo artigo "Brazilian public funding for biodiversity research in the Amazon" (Financiamento público brasileiro para pesquisa de biodiversidade na Amazônia, em inglês), publicado na revista Perspectives in Ecology and Conservation.
Segundo o levantamento, cerca de 23% dos recursos são destinados para apoiar estudos ecológicos de longa duração.
Em 2022, a Amazônia obteve 13% das bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado e abrigou 12% dos pesquisadores que trabalham em pós-graduação em biodiversidade no país.
Os dados são do período de 2016 a 2022 analisando o financiamento de projetos de pesquisa em biodiversidade, a concessão de bolsas de pesquisa e a formação de pesquisadores por meio do vínculo a programas de pós-graduação.
As fontes analisadas foram os dois principais editais de recursos federais para pesquisa no Brasil: o Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (Peld) e o edital Universal, ambos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); e a agência federal de capacitação de recursos humanos, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), responsável pelos editais, informou que "possui um conjunto de iniciativas para estruturar a capacidade científica e tecnológica, ampliar a formação de pesquisadores e promover o desenvolvimento sustentável da região amazônica".
Segundo o MCTI, "a megabiodiversidade da Amazônia possui potencial que desperta grande interesse por produtos com alto valor econômico e constitui a maior possibilidade de gerar riqueza e inclusão social sem destruir a floresta e envolvendo as comunidades que nela habitam".
O órgão disse" que a estratégia para a Amazônia deve incluir a geração de conhecimento e a definição de ferramentas para a difusão de tecnologias para o setor produtivo e para a sociedade, fortalecendo a base científica para alcançar uma verdadeira estrutura produtiva regional".
"Em agosto, o ministério anunciou um volume recorde de investimento em CT&I na Amazônia, voltados a consolidar a infraestrutura de pesquisa; aperfeiçoar os sistemas de monitoramento da Amazônia e apoiar a inovação e o desenvolvimento de cadeias produtivas, no valor de R$ 3,4 bilhões até 2026", informou o Ministério.
O trabalho é resultado de uma rede de pesquisa no projeto Synergize, que faz parte do Centro de Síntese em Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (SinBiose/CNPq), reunindo pesquisadores de doze instituições nacionais e internacionais. O projeto é coordenado pela Embrapa e pela Universidade de Bristol, no Reino Unido.
A pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental Joice Ferreira disse que "o objetivo do trabalho foi analisar a distribuição de recursos para pesquisas em biodiversidade e mostrar como o conhecimento sobre a Amazônia vem sendo subfinanciado em relação às outras regiões do país".
Termine de ler a reportagem acessando o g1
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