
30/01/2024
A redução de espaços florestais onde as abelhas possam fazer ninhos naturais integra os fatores que impulsionam a migração dos enxames em busca de outros locais adequados. Com o desmatamento, a escassez de áreas verdes forma ilhas de calor. E, em um ambiente inadequado, de temperaturas elevadíssimas e ruídos, estressante para as abelhas, é que se tornam também mais propícios os ataques, conforme explicam especialistas.
Os registros de ataques de abelhas aumentaram em 64% na região de Piracicaba (SP) entre 2022 e 2023, de acordo com levantamento do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo.
No início de janeiro, a região registrou duas ocorrências com idosos. Em uma delas, um homem de 93 anos morreu após mexer em um galho de árvore onde ficava um ninho, na área central de Piracicaba. O enxame foi exterminado.
O g1 conversou com a engenheira florestal e diretora de uma start up especializada em mitigação e prevenção de mortalidade de abelhas, Simone Dias.
As abelhas são essenciais para a produção agrícola e inclusive, para a segurança alimentar.
A profissional pondera que o movimento migratório é algo comum à espécie, mas pode ser influenciado pelas condições socioambientais, como o uso desenfreado de agrotóxicos e rápida mudança de paisagens, resultante do desmatamento.
"Com a diminuição de espaços nas áreas naturais, alterações de temperatura por conta das mudanças climáticas e a própria diminuição de áreas de florestas, esses enxames viajam grandes distâncias em buscas de melhores condições e eventualmente passam por áreas urbanas. Eles ficam por poucos dias e daí seguem viagem", explica.
Em situações de muito barulho e altíssimas temperaturas, as abelhas ficam mais ativas e podem se irritar mais com presença humana, aponta a engenheira florestal.
A profissional ressalta que as abelhas não atacam à toa. "Apesar de nos assustarmos e de ser impactante ver um exame migratório, esses insetos não atacam sem motivo", observa.
Quando ocorre algum incidente com abelhas, segundo Simone, é porque alguém esbarrou, ainda que sem intenção, ou ainda cutucou, tentou removê-las ou o ambiente ficou estressante demais para elas.
"Apesar de serem muito defensivas, elas não costumam atacar, exceto quando se sentem ameaçadas ou quando o ambiente gerou algum tipo de estresse nelas. Por isso, não se deve tentar removê-las ou espantá-las sem acompanhamento de profissional especializado", alerta.
As mudanças climáticas impactam na migração das abelhas, mas não se pode dizer que por conta disso, esses insetos estão aparecendo mais nas cidades.
É importante destacar alguns aspectos do comportamento das abelhas na cidade. Nesta época do ano, no verão, se dá a formação de novos enxames e é muito comum a ocorrência de enxames de passagens.
"Um novo enxame se forma na colmeia e sai em busca de um novo habitat para se estabelecer", afirma. "Por isso as pessoas veem com mais frequência umas “pelotas” de abelhas nas casas, nas árvores, em postes e até em estruturas inusitadas como veículos ou máquinas em áreas industriais", exemplifica.
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