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Mamíferos, répteis, aves e peixes: Pesquisa faz inventário da biodiversidade da região de Jurujuba, em Niterói

30/01/2024

Mamíferos, peixes e insetos estão na lista de moradores da Enseada de Jurujuba que ainda não são conhecidos por parte considerável de quem vive no local. Mas ao longo de 2024 uma iniciativa pretende mudar este cenário. Foi pensando nessa riqueza faunística da cidade que a Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade iniciou, no começo deste mês, uma série de atividades de campo do projeto de inventário da biodiversidade da bacia hidrográfica contribuinte à região.
Com investimento de R$ 1,8 milhão do governo federal, a intenção da prefeitura é produzir um catálogo de espécies animais de seis bairros que formam a enseada pesquisada: Largo da Batalha, Maceió, Cachoeira, São Francisco, Charitas e Jurujuba, onde, de acordo com dados do último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vivem aproximadamente 40 mil pessoas. Além do documento, a secretaria tem a intenção de promover atividades de educação ambiental, para alavancar um amplo conhecimento da biodiversidade local a alunos da rede municipal e moradores dos bairros citados.
Biólogos visitaram, na última semana, pontos do Parque Natural Municipal de Niterói, do Morro do Morcego, da Fortaleza de Santa Cruz e dos fortes do Pico e do Rio Branco, que serão monitorados ao longo de 15 meses de estudos. O Instituto Moleque Mateiro e a Piper 3D, empresa especializada em pesquisas e consultorias na área ambiental, estão participando de todo o processo.
De acordo com o cronograma do projeto, serão realizadas vigílias científicas, ao longo deste ano, com observação e análise de répteis e anfíbios, aves, mamíferos, peixes, insetos e macroinvertebrados aquáticos (crustáceos e moluscos) dos locais estabelecidos.
Para auxiliar a equipe de campo, Júlia Lins Luz, responsável técnica da Piper 3D, conta que foram instaladas armadilhas para os mamíferos de pequeno porte, como os ratos, da ordem Rodentia, e os gambás, marsupiais da ordem Didelphimorphia, que vão ficar no local por quatro noites, sendo checadas diariamente, para que o grupo possa medir, pesar, registrar suas características e fotografar os animvais. Também foram instalados equipamentos de fotografia e filmagem para registro dos mamíferos de médio e grande porte, programados para monitorar 24 horas por dia durante duas semanas em cada área pesquisada.
— Durante quatro horas à noite armamos redes para capturar os morcegos. Para o registro de répteis e anfíbios, utilizamos o método de busca ativa, examinando locais de abrigo e reprodução das espécies, além de instalar um gravador para o monitoramento acústico. Queremos ouvir também os animais noturnos. Para o registro de aves, realizamos a contagem de todos os indivíduos detectados em um raio de 50 metros, de forma visual ou auditiva. Fazemos, também, uma busca ativa diurna com auxílio de rede entomológica para captura e observação dos insetos. A partir do pôr do sol utilizamos uma armadilha luminosa para registro das espécies de insetos noturnos. Dessa forma, ao longo da semana, vamos conseguir recolher dados iniciais sobre as espécies que habitam a região — explica a bióloga.
Fora o reconhecimento das espécies, as equipes vão realizar entrevistas com os principais envolvidos da comunidade de Jurujuba, a fim de incluir a população local de forma ativa e identificar, a partir de relatos, animais já avistados na região. O projeto tem como beneficiários diretos cerca de 600 alunos de três escolas municipais, trabalhadores e moradores dos bairros que compõem a região da bacia hidrográfica da Enseada de Jurujuba, mas também pesquisadores, gestores públicos e visitantes do local.
Para o secretário de Meio Ambiente, Rafael Robertson, além de contribuir para a conscientização das comunidades locais através da promoção de conversas e oficinas, os dados observados e analisados pelos biólogos constituem importante base para geração de subsídios para tomadas de decisão e ações de melhoria da política pública de saneamento e de conservação ambiental.
— Ao executar o inventário da fauna da Enseada de Jurujuba, não apenas aprofundaremos o conhecimento da biodiversidade local, mas também criaremos as bases para projetos futuros. Nossa expectativa é que esse projeto não só fortaleça a educação ambiental, mas também promova uma conexão mais profunda da comunidade local com a rica diversidade animal da região, contribuindo para a sustentabilidade a longo prazo do nosso município — acredita.
Já o prefeito Axel Grael destaca que a iniciativa vem somar com o trabalho de preservação ambiental em curso não só na região do inventário. Ele lembra que o Programa Enseada Limpa também implementou ações voltadas para a resolução de questões de saneamento. Comunidades como Salinas e Peixe Galo, em Jurujuba, receberam obras de drenagem e contenção de encostas, com o objetivo de prepará-las para a implementação de um novo modelo de saneamento. O foco é reduzir o descarte de esgoto irregular, que tem como destino final as águas das praias da Baía de Guanabara.
— Já avançamos muito neste trabalho e agora vamos avaliar o processo de recuperação do ecossistema. Este diagnóstico e a realização de um inventário faunístico do local são de extrema importância. Participamos de um edital do governo federal, fomos selecionados e agora estamos nesse momento de iniciar os trabalhos de campo — diz Axel.

Fonte: O Globo

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