
01/02/2024
Dormir é fundamental para os animais. A falta de descanso pode provocar problemas sérios de saúde, confusão mental e até a morte - não é à toa que a privação de sono é usada como método de tortura. Mas parece que um animal da Oceania sacrifica o sono em troca de sexo.
É o que os cientistas descobriram ao observar os machos do gênero antechinus, marsupial das florestas costeiras da Austrália, que durante o período de acasalamento "ficam viciados em sexo" e deixam o sono de lado para se dedicarem ao ato.
O artigo, publicado recentemente na revista científica Current Biology, reporta a surpreendente descoberta biológica, que provavelmente tem relação com a seleção natural e é a primeira a documentar esse tipo de restrição de sono em um mamífero terrestre.
Usando uma combinação de técnicas, mostramos que os machos perdem horas de sono durante o acasalamento, e que em uma das etapas reduz até pela metade.
— Erika Zaid, da Universidade La Trobe, em Melbourne, na Austrália
"Nos seres humanos e em outros animais, restringir a quantidade normal de sono leva a um desempenho inferior quando se está acordado e o efeito piora noite após noite, mas os antechinus fazem exatamente isso: dormem três horas a menos por noite, todas as noites, durante três semanas", ressalta a pesquisadora.
No estudo pioneiro, os pesquisadores usaram acelerometria para rastrear os movimentos de cerca de 450 marsupiais do gênero, além de medições eletrofisiológicas e metabólicas para quantificar o quanto os animais dormiam.
Os autores sugerem que esses animais podem obter algum tipo de vantagem por dormirem menos durante o período de acasalamento ou que aceitam a inconveniência de ficarem acordados para aumentar as chances de reprodução.
Segundo especialistas, reduzir o sono pode ser uma forma de adaptação quando a necessidade de reprodução "é extrema".
Na verdade, é surpreendente que eles não sacrificam ainda mais sono durante a estação de reprodução, já que, de qualquer forma, vão morrer em breve.
— Erika Zaid, da Universidade La Trobe, em Melbourne, na Austrália.
Vem saber mais sobre os Antechinus acessando o g1
Rio está entre cidades mais afetadas por ozônio nocivo este ano
01/10/2026
Estudo da Unesp encontra contaminantes ligados ao câncer em plásticos e espumas descartados
01/10/2026
Sertanejo usa plantas e animais para prever chuvas no RN
01/10/2026
Escorpiões que brilham sob luz ultravioleta levam cientistas a duas novas espécies em Roraima
01/10/2026
Duas aves brasileiras estão entre as mais barulhentas do mundo, mostra estudo
01/10/2026
Renda de catadores com venda de recicláveis pode dobrar
01/10/2026
